Posts

Se você não existisse, que falta faria?

Por Claudinet Coltri Junior

coltri

Palestrante, consultor organizacional nas áreas de marketing, estratégia e pessoas; Coordenador dos cursos de Gestão de Consultório e Formação em ASB (ABO/MT); coordenador de área dos Cursos de Gestão do UNIVAG

Vivemos sempre preocupados com nossos problemas profissionais, mas, via de regra, inundados em nossas tarefas cotidianas, esquecemo-nos das leis naturais que regem as relações de trabalho e de consumo.

Muitas vezes nos perguntamos por que os nossos clientes não dão o devido valor ao nosso trabalho. A resposta pode estar no comportamento de compra do consumidor. As pessoas compram mais por motivação do que por necessidade. Para isso, muitas vezes se enganam, transformam desejos, por vezes sem sentido, em necessidades sem fundamento. A pessoa deseja uma TV de LED nova. Aí cria uma situação em sua mente para se enganar e pensar que necessita dela, quando, na verdade, a ausência do equipamento não mudaria nada em sua vida.

Já, com a odontologia, são poucos os procedimentos em que alguém desejaria sem ter a necessidade. No fundo, ocorre o inverso. Muitos dos problemas bucais, na cabeça do paciente, não atrapalham a sua vida. Existem muitas necessidades que não causam desejos. Assim, os pacientes não se encorajam a visitar o seu Cirurgião Dentista. Para prevenção, então, são poucos os casos, dentro do mercado potencial que temos.

Em sendo assim, só nos resta a alternativa de valorizarmos o nosso trabalho. O profissional de odontologia não pode perder a oportunidade de, em estando na presença do paciente, lançar mão de uma série de recursos hoje disponíveis que podem auxiliá-lo no processo de sensibilização do paciente. É preciso usar cinco minutos da consulta, que seja, para ensinar algo sobre odontologia para o paciente. É preciso ter imagens no computador que mostrem resultados favoráveis, que mostrem insucessos por conta da não disciplina dos pacientes etc. (com o cuidado de não prometer o resultado mostrado na imagem). Câmaras intra-orais são ótimos instrumentos de educação à saúde. Mostrar uma cárie, uma cavidade aberta para ser restaurada ou para uma endodontia, um dente movimentado por conta da ausência de outro elemento, são fatores de extrema importância para que o paciente veja o resultado da sua negligência.

Além disso, o seu comportamento para com o paciente é de extrema importância. Precisamos buscar, em nossos relacionamentos, sermos assertivos, ou seja, precisamos falar o que tem que ser dito, sem sermos mal-educados. Precisamos ser uma pessoa agradável, de modo que faça com que os outros gostem de estar junto, além de ser lembrado com carinho. Aliás, em tupi-guarani, encantar significa lembrar sem estar presente.

Para sermos agradáveis, para que as pessoas tenham vontade de estar em nossa presença, precisamos respeitar o ciclo de relacionamento. Ele funciona mais ou menos assim: em primeiro lugar, precisamos ser admirados pela nossa competência tanto técnica quanto comportamental; quando isso acontece, aparece o respeito; o respeito gera confiança; a confiança gera paixão (no sentido do encantamento); a paixão, o encantamento, gera o estreitamento da relação, ou seja, uma relação mais íntima.

Respeitando o ciclo, seremos, então, uma pessoa com a qual os outros sentirão prazer em estar junto. Em sendo assim, competente técnica e emocionalmente, faremos falta às outras pessoas, aos nossos clientes, que sempre estarão dispostos a estarem juntos a nós.

No fundo, o nosso sucesso está ligado à diferença que fazemos na vida das outras pessoas. Existem os que fazem diferença positivamente, os que não fazem diferença e os que fazem a diferença negativamente. Portanto, a sustentabilidade da sua vida profissional é diretamente proporcional a repostas que as pessoas dão a uma simples pergunta: se você não existisse, que falta faria? Pense nisso!

Ou nos transformamos ou sucumbimos

Marcos Luis Macedo de Santana

Marcos Santana

Cirurgião-dentista, membro da Academia Tiradentes de Odontologia (ATO) e presidente do Sindicato dos Cirurgiões-dentistas de Sergipe (Sinodonto-SE), com extensa carreira dedicada à causa odontológica em várias instâncias

Sem entidades fortes e organizadas, direção competente e ampla participação da classe odontológica não sairemos desse marasmo e da depreciação política aos quais estamos acorrentados. Mudanças estruturais e políticas têm que ser operadas, sob pena de sermos condenados a eternizar a odontologia como subcategoria política na saúde e na sua importância social para o País.

Citando o primeiro e obscuro problema, o da formação – De acordo com dados do Inep, em  1991 existiam 83 cursos, 7.315 vagas, 7.230 ingressos e 6.089 concluintes. Já em 2013, a capacidade instalada do ensino da odontologia quase que triplicou no país, apresentando o seguinte perfil: 220 cursos, 20.589 vagas, 23.057 ingressos com 10.269 concluintes/ano. O mais interessante desse incremento é observar que o número de cirurgiões-dentistas formados, ou seja, os que deveriam realmente representar o mercado de trabalho, não apresenta um crescimento proporcional ao número de vagas e nem de cursos criados no mesmo período. Quem pode explicar?

Outra questão, no mínimo esdrúxula, são as cooperativas – Os  cooperados nunca entenderam o que é uma cooperativa. Ele se comportam como credenciados de uma empresa, quando na verdade eles são donos dela. Nas reuniões em que se delibera sobre a remuneração dos diretores da cooperativa, entre outras coisas, mais uma vez a não participação, a  baixa compreensão do sistema e a inércia –  ninguém quer sair da zona de conforto – provocam somente um rol de queixas nas redes sociais. Lamentável!

Sem margem de lucro, “ganho pouco, pago pouco” – Por seu lado, as cooperativas alegam frequentemente que para concorrerem no mercado com outras empresas e ganharem contratos em licitação – que é pelo menor preço – terminam sem margem para remunerar melhor seus cooperados. Enfim, ficam iguais aos concorrentes no aspecto remuneração. Um ciclo de “ganho pouco, pago pouco”. Isso tem acontecido com todas as cooperativas a exemplo da UNIMED que é hoje a que menos paga aos médicos. Na mesma baixa moeda, aí estão também as cooperativas de odontologia  e seus cooperados. De novo, o que falta é participação, desta vez do cooperado.

Somente 5% dos CDs brasileiros participam/contribuem com os sindicatos  – Esta ausência de profissionais  inseridos nas lutas da categoria fragiliza a própria odontologia, que deixa de ter um importante instrumento de combate e de reivindicação política. A grande maioria dos sindicatos da odontologia é  precária, sem estrutura e sem a efervescência da participação da classe que, sem pudor, fica na mais uma vez na zona de conforto, presente apenas virtual eventualmente por meio das redes sociais, com suas contumazes queixas.

Gostando ou não de política, só se muda as coisas por meio dela, é ela a ferramenta que pode contribuir e modificar o presente e arquitetar o futuro das gerações de colegas que, aos milhares, nos sucederão.

É este o comportamento típico do dentista brasileiro,  em regra imaturo politicamente,  e que se  reproduz lamentavelmente à grande maioria da categoria. Comodamente, espera que o poder dominante se compadeça dos seus problemas e os resolvam, uma ilusão. Ou nos reformamos e nos tornamos cidadãos e vamos à luta ou sucumbimos nesse mundo competitivo no qual grandes decisões políticas do País são tomadas sem sermos ouvidos  ou observados com o devido cuidado, atenção e respeito.