Brasil é o país que tem o maior número de especialistas em odontologia do mundo

Por Maria Celeste Morita

Presidente da Associação Brasileira de Ensino Odontológico (Abeno), professora associada da Universidade Estadual de Londrina, mestre em Saúde Pública de Países em Desenvolvimento pela Universidade de Paris VI, pós-doutorado pelo Observatório de Recursos Humanos Odontológicos da FO-USP

Presidente da Associação Brasileira de Ensino Odontológico (Abeno), professora associada da Universidade Estadual de Londrina, mestre em Saúde Pública de Países em Desenvolvimento pela Universidade de Paris VI, pós-doutorado pelo Observatório de Recursos Humanos Odontológicos da FO-USP

Em 2010, a região sudeste brasileira detinha 56% dos cirurgiões-dentistas  especialistas, ou seja, 30.233 profissionais. Em 2013, esse número salta para 87.706 dentistas especializados. O Brasil é o país com o maior número de especialidades na Odontologia – 19 delas,  e também o com maior número de especialistas, enquanto na Europa há apenas duas especialidades que são reconhecidas pela maioria dos países – ortodontia e cirurgia – e  nos Estados Unidos e Canadá  são nove especialidades.

Estes dados foram parte de minha palestra na III Assembleia de Especialidades Odontológicas (Aneo), que aconteceu em outubro na APCD Central, promovida pelo CRO-SP.

A Aneo aprovou, em caráter consultivo, as  especialidades de homeopatia, acupuntura e  odontologia desportiva, que agora passarão pela etapa de deliberação do Conselho Federal de Odontologia para se tornarem especialidades odontológicas de fato. Também estão em estudo pelo CFO a mudança de nomes de duas especialidades: dentística, para dentística estética e restauradora; saúde coletiva e da família, para saúde coletiva; a unificação da ortodontia e ortopedia funcional e a habilitação de algumas especialidades.

Na palestra Odontologia – Áreas e Abrangência de suas Especialidades, abordei a as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) destacando que de acordo com o Art. 4 das Diretrizes, o cirurgião-dentista deve ser capaz de pensar criticamente, tomar decisões, ser líder, atuar em equipes multiprofissionais, planejar estrategicamente para contínuas mudanças, administrar e gerenciar serviços de saúde e aprender permanentemente. Aprender permanentemente significa ter o hábito de pesquisar na literatura frente a cada dúvida surgida durante o trabalho e não necessariamente recorrer a um curso de especialização.

Defendo que o objetivo da formação em odontologia é educar cirurgiões-dentistas capazes de promover, manter e restaurar  a saúde, respondendo às necessidades da população e que a pós-graduação ou a especialização só é possível sobre uma sólida base da graduação.

“É um equívoco pensar que cursos de especialização são indutores diretos de qualidade da assistência para ser um bom profissional, seja generalista ou especialista a graduação é pilar estruturante.

A ausência de critérios para definir a necessidade de especialidade e a abertura de cursos de pós-graduação lato e stricto sensu   atualmente atendem apenas  à intencionalidade dos formadores. O que não deveria acontecer e sim haver critérios que levassem em conta, além da qualidade, a necessidade da população. Seria preciso analisar dados epidemiológicos,pois empiricamente, há desequilíbrios:  concentração de cursos e oportunidade de especialização em determinadas regiões do país, falta de determinados especialistas, dificuldade de fixação de profissionais em determinadas áreas. É urgente criarmos parâmetros de avaliação dos cursos de lato sensu, seja para a abertura deles, condições de funcionamento ou criação de especialidades. O sistema atual leva à superespecialização e agrava os desequilíbrios existentes.

O que deve modular a criação da especialização? O que deve balizar a criação de novos cursos de especialização e especialidades na Odontologia são mudanças no conhecimento científico, avanços no diagnóstico, risco e tratamento de doenças, mudanças no perfil epidemiológico das doenças, mudanças no perfil demográfico da população e dos profissionais e  mudanças no mercado de trabalho.

Como benefícios e desafios da especialização, cito, no primeiro casos, a incorporação de novas tecnologias e a eventual possibilidade de o atendimento especializado  aumentar a resolubilidade da atenção. Já como desafios, temos a perda da capacidade de lidar com o todo; o aumento da incorporação da tecnologia, nem sempre necessária; a redução do conhecimento disponível para o clínico geral e a restrição do mercado de trabalho.

Deixo para reflexão conteúdo extraído da Conferência Mundial sobre Ensino Superior, Unesco, Paris, 1998, sobre como deve ser o Profissional Universitário do Século XXI:

” Preparar-se para estudar durante toda a vida – Ser flexível, não se especializar demais – Investir na criatividade, não só no conhecimento – Aprender a lidar com incertezas, o mundo está assim – Ter habilidades sociais e capacidade de expressão – Saber trabalhar em grupo – Estar pronto pra assumir responsabilidades – Ser empreendedor – Entender as diferenças culturais – Adquirir intimidade com novas tecnologias, como a Internet.”

 

Bioquímica da Saliva

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Fluido aquoso, transparente, que é secretado pelas glândulas salivares diretamente na cavidade bucal. Seu maior componente é a água – sendo que o restante é formado por componentes orgânicos e minerais.

Contém imunoglobulina secretora A(IgA) lactoferrina , lizosima, etc. Possuem atividade antimicrobiana  servem para limitar o crescimento bacteriano. Possui propriedades anti fúngicas


Componentes salivares

1° Água 99% – limpeza, umidificação e proteção da mucosa;

2° Material orgânico – proteínas estaterina, betoferrina, lisojema e amilase;

3° Material inorgânico – Íons com carga: Ca+2, HCO3, F, H+, PO4-3

Volume de fluxo salivar (VFS)

Diário – 1 a 1,5 L.

Normal – 1,0 a 3,0 ml/min.

Baixo – 0,7 a 1,0 ml/min.

Hipossalivação – abaixo de 0,7 ml/min.

Xerostomia – abaixo de 0,1 ml/min.

 É importante medir a secreção salivar (Sialometria)?

Sim. Diagnostico de hipossalivação;
Avaliar a capacidade de temperamento (equilibrar o pH).

Fatores que afetam o VFS:

  1. A) Medicamentos – antidepressivos, narcóticos, diuréticos (controle da P.A);
  2. B) Radioterapia;
  3. C) Doenças auto-imunes – síndrome Sjogren;
  4. D) Menópaussa e contraceptivos;
  5. E) Anorexia, jejum e desnutrição;
  6. F) Diabetes.

Funções da saliva

  • Função digestiva: Amilase (degrada amido), degradação mínima;
  • Lubrificante/Solvente: Facilita a deglutição do bolo alimentar, solubilização dos alimentos, percepção do sabor;
  • Defesa/Proteção:  Proteínas antimicrobianas;
  • Mecânica: Lavagem das superfícies bucais;
  • Capacidade de tamponamento: Reação química de estabilização do pH (bicarbonato, fosfato, murinas).

Componentes inorgânicos

1 – HCO3 – Principal sistema de tamponamento. Junto com o HCO3, aparece também o H2CO3 (ácido carbônico).

Reação de neutralização de ácidos bacterianos

HCO3 + H+ H2CO3 H2O + CO2

Reação de neutralização de bases bacterianas

OH + H2CO3 HCO3 + H2O

2 – Calcio – é um cátion bivalente com pH < 5,5, utilizado em eventos de remineralização dentaria.

  • A concentração de Ca+2 depende do fluxo circardiano;
  • Ca+2 depende de medicamentos;
  • Cálcio ionizado – Ca+2 pH, aumenta o cálcio ionizado.
  • Cálcio ligado – CaF2

3 – Fluoreto (F)CaF2 – Na saliva a maior parte do flúor está ligado a concentração da ingestão de compostos fluoretados. Quando incorporado ao esmalte dentário forma Ca10(PO4)6(F)2 (fluorapatita), tendo efeito bactericida e bacteriostático.

4 – SCN (Tiocianato) – Responsável pela neutralização do H2CO2 bacteriano.

SCN + H2O2     Tiocianato
SCNO + H2O   Hipotiocianato

5 – Fosfato – tampão PO4-3 3°       ácidos = H+ + PO4-3 HPO4-3

HPO4-2   2°       bases = OH + HPO4 H2O + PO4 -3
H2PO4   1°

6 – Hidrogenio – Influencia a maioria das reações químicas da boca.

– Variavel principal;
– Medido através do pH.
– Fontes de H: a- secreção glandular;

b- fluidos transitórios;

c- metabolismo bacteriano.

*Está relacionado com o consumo de carboidratos fermentáveis.

Componentes orgânicos

1 – Proteínas – Macromoléculas formadas por aminoácidos.

1°: sequência de a.a;

2°: dobra;

3°: envolve;

4°: 2 ou mais proteínas se envolvem.

1.1 – Proteínas salivares

Função: Antifúngico, antiviral, antibacteriano, tamponamento, digestão, mineralização, lubrificação, proteção de tecidos.
Exemplos:

– Estaticina;
– Lisozima;
– Lactoferrina;
– Amilose;
– Proteínas ricas em prolina (a.a).

2 – Glicoproteínas – Proteínas que contem carboidratos ligados a eles.

  • Agregar células bacterianas (defesa).
  • Tamponamento (estabilizar o pH) – Favorecem a adesão de bactérias ao dente

3 – Estaterina – Pequena proteína salivar com segmento amino terminal negativo.

*Impede a formação de cálculo dentário.

4 – Proteínas ricas em prolina (PRP) – Tem como aminoácido predominante a prolina.

  • Função idêntica a Estaterina (impedir a formação de cálculo);
  • Influencia a adesão bacteriana aos dentes, sendo a principal proteína para esta função.

5 –  Amilase salivar – Enzima salivar responsável pela degradação de amido.

6 – Lisozima (LZ) – Proteína catiônica.

  • Efeito bactericida ativando autolizimas bacterianas;
  • Tem atividade de muramidase (destruir o ácido murâmico da parede celular).

7 – Lactoferrina (LZ) – Rouba o ferro da célula bacteriana

  • Efeito bacteriostático;
  • Efeito bactericida.

*Ferro é indispensável pela bactéria.
*Efeito bacteriostático.
*Rompe a parede (efeito bactericida) inofosa.

8 – Sistema Peroxidase – responsável pela neutralização do H2O2 produzido pelas bactérias.

9 – Aglutininas e fibronectina – são glicoproteínas com funções análogas às glicoproteínas, mas em menor quantidade

10 – Lipídeos e Carboidratos – Pequenas Quantidades

11 – Imunoglobulinas – São glicoproteínas antimicrobianas.

  • Exemplos: IgA, IgD, IgE, IgM e IgG (anticorpos);

O anticorpo IgA apresenta maior quantidade entre os anticorpos na saliva, tendo função de defesa.

 

Conheça mais sobre as questões envolvendo saliva, e ou a falta dela!

 

 

A Odontologia em 2015

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Dr Weder Carneiro

A Odontologia já teve várias fases. Muitos falam da “década de ouro”, referindo-se à década de 70, onde realmente qualquer dentista vivia muito bem e a maioria ficava rico com a profissão. Nos anos 80 foi a vez da Ortodontia, época em que se cobrava um salário mínimo mensal de manutenção. A década de 90 foi marcada pela Implantodontia. Quem se especializou nesse período pegou um mercado extremamente aberto e disposto a pagar caro para repor dentes perdidos.

No século XXI não houve grandes novidades, o mercado ficou muito mais escasso e o excesso de profissionais aumentou a concorrência e diminuiu os preços. As inovações até 2010 se deram mais na reinvenção do que na abertura de novos mercados.

No entanto uma nova fronteira já deu grandes sinais de que pode mudar o futuro profissional da Odontologia: a gestão e o marketing.

Os dentistas não são formados para ser gestores de sua profissão. As faculdades e mesmo as pós graduações abordam o tema apenas superficialmente, quando abordam. É um grande paradoxo, pois treina-se o dentista para ser um profissional de excelência mas esquece de ensina-lo a apresentar seu trabalho e vende-lo com ética e eficiência.

No entanto já sabemos que a gestão e o marketing podem mudar a realidade de dentistas comuns. Nossos estudos mostraram evolução de 88% em ganhos financeiros em consultórios e clínicas que implementaram métodos eficazes de gestão.

2015 será um ano difícil. Todo dia há notícias de que a economia não vai bem, a inflação está aí para amedrontar a todos e, querendo ou não, o governo vai tomar atitudes para frear a inflação. Essa receita básica inclui diminuir a circulação de dinheiro no mercado, através do aumento de juros e diminuição do crétido.

Essas medidas vão impactar diretamente consultórios e clínicas em todo o Brasil. Mas não se desespere: há um caminho.

A Harvard Business Review publicou em 2010 um artigo em que mais de 2.000 empresas foram analisadas no mundo durante a crise de 2008 e 2009. Esse estudo apoutou que a imensa maioria das empresas sofreram impactos negativos e até quebraram. Por outro lado muitas empresas aumentaram sua lucratividade e ganharam mercado mesmo com crise nos seus países. Para a revista o resultado surpreendente das empresas que venceram a crise foi devido a ações inteligentes e eficazes de gestão e marketing.

“Em momentos de crises as pessoas não deixam de consumir, elas apenas escolhem melhor de quem vão comprar, isso porque as pessoas não podem errar e a segurança passa a ser um grande fator de relevância” afirma a revista.

Para superar as limitações econômicas de 2015 estratégias de gestão e marketing são fundamentais. Já passou o tempo em que atender direitinho era suficiente para ter clientes. É preciso tomar decisões profissionalmente, saber quais áreas investir ou não. Saber analisar indicadores de clientes, satisfação, lucratividade e acertar a fórmula que vai atrair mais e mais clientes.

O eldorado da Odontologia em 2015 será a gestão. Quem souber gerir vai se superar no mercado, quem não souber vai ser vítima dele.

 

A influência do fumo na doença periodontal

* Prof. Dr. Laurindo Borelli Neto

RESUMO

A proposta básica deste trabalho é avaliar através de revista de literatura a ação do fumo nos tecidos periodontais, assim como o comportamento da doença periodontal frente a fumaça do cigarro. Sabe-se que o fumo exerce um efeito negativo na integridade e saúde, tanto do periodonto de proteção, quanto no de sustentação; promovendo alterações nas reações vasculares, reduzindo a resposta cicatricial periodontal, e prejudicando as funções celulares defensivas contra patógenos orais. Sendo assim, o fumo não só diminui a resposta cicatricial, como também acelera a destruição periodontal.

ABSTRACT

The basic proposal of this work is evaluate over literature review the action of smoking on periodontal tissues, just as the behavior of periodontal disease front of the cigarette smoking. It,s  fact that the smoking exert a negative effect in the integrity and health as protection periodontium as the sustentation, furthering alterations on vascular reaction, decreasing the response periodontal healing, and impairing the functions of defensive cells against pathogens. In such case, the smoking not only decrease the response tissues, but also accelerate the periodontal destruction.

INTRODUÇÃO

fumo é associado a inúmeras patologias e responsabilizado por altos índices de mortalidade em todo o mundo. Os malefícios provocados pelo hábito de fumar são abordados por diferentes profissionais da área da saúde.

fumaça do cigarro resultante da combustão incompleta do tabaco é constituída por uma mistura heterogênea, da qual fazem parte a nicotina e o monóxido de carbono (CO), que são as principais substâncias químicas responsáveis pelos efeitos deletérios do fumo nos tecidos periodontais.

Sabe-se que a nicotina, está relacionada à perda óssea alveolar, perda de inserção periodontal, formação de bolsas periodontais e consequentemente perda de elementos dentais1,2,7,8,9. Isto é observado devido a ação da nicotina sobre as funções defensivas de monócitos, e neutrófilos, na IgGsérica reativa para oActinobacillus  actinomycetemcomitans(Aa), assim como sua ação sobre fibroblastos gengivais, produção de fibronectina e colágeno tipo I que3,4,14,15,16,17,18,25, somado as diminuição do transporte de oxigênio produzida pelo monóxido de carbono alteram a  resposta cicatricial  tanto após terapia periodontal cirúrgica quanto não cirúrgica25. Sendo assim, o fumo de tabaco tem sido apontado como o principal fator de risco associado a doença periodontal.

Esse trabalho tem como propósito relatar as diferentes faces da influência do fumo na doença periodontal.

REVISÃO DA LITERATURA

ARNO et al (1959) estudando pacientes fumantes e não fumantes num  acompanhamento de 6 anos, relatou maior perda óssea, menor redução da profundidade de bolsa e maior perda de inserção horizontal em furcas em pacientes fumantes.

AXELSSON  et al (1998) estudaram 1093 indivíduos de 35, 50, 65 e 75 anos. A porcentagem de fumantes foi 35%, 35%, 24%, e 12%, respectivamente. Fumantes apresentaram maior perda de inserção à sondagem em todos os grupos; essa diferença foi de 0,35mm (p=0,001); 0,88mm (p=0,001); 0,85mm (p=0,001) e 1,33mm (0,002) respectivamente.

BAAB et al (1987) relataram o impacto negativo do fumo na cicatrização de cirurgias através dos efeitos celulares deletérios da nicotina nos fibroblastos e leucócitos polimorfonucleares.

BARBOUR et al (1997) informaram que linfócitos B e T expostos ao tabaco exibem reduzida capacidade proliferativa, o que poderia limitar a produção de Ig protetora contra patógenos orais.

Estudos realizados por BERGSTRÖN et al (1998) avaliaram a influência do fumo nas reações vasculares durante a gengivite. Dezesseis estudantes com saúde dental (8 fumantes e 8 não fumantes, entre 19 e 42 anos) permitiram a indução de gengivite por acúmulo de placa e foram examinados ao final de 28 dias. Os autores observaram um aumento de vasos sangüíneos em ambos, fumantes e não fumantes, porém a intensidade da reação vascular em fumantes foi somente de 50% do que foi observado em não fumantes. Após a restituição da higiene oral, o número de vasos gengivais equipararam-se aos valores pré-experimentais de ambos os grupos.

BERGSTRÖN et al (1990) instituíram um programa de orientações de higiene oral, abrangendo 68 pacientes (entre 21 e 60 anos) dos quais 28 pacientes eram fumantes. Após 12 meses, os autores verificaram que os índices de placa e sangramento gengival reduziram tanto em fumantes quanto em não fumantes, porém nos fumantes esses índices foram mais baixos, relatando que nos fumantes a expressão clínica da gengivite em resposta a placa foi suprimida.

BERGSTRÖN et al (1991) pesquisaram a relação entre o fumo e a perda de altura óssea periodontal em 210 pacientes (de 24 a 60 anos), sendo que 30% eram fumantes, 32% ex-fumantes e 38% não fumantes. Os autores observaram que a perda óssea foi significantemente maior em fumantes quando comparado aos não fumantes (1,71 ± 0,08mm e 1,45 ± 0,04mm, respectivamente).

BERGSTRÖN & ELIASSON (1987) compararam a altura de osso alveolar de fumantes e não fumantes. Foram estudados 235 pacientes entre 21 e 60 ano, dos quais 72 eram fumantes. Os resultados revelaram uma significante redução na altura do osso alveolar em fumantes comparado aos não fumantes (1,71 ± 1,3% e 82,8 ± 0,6%).

BERGSTRÖN & PREBER (1994) mostraram através de estudos experimentais que o fumo diminui a reação vascular observada na gengivite,  e em conseqüência, têm-se uma disfarçada supressão dos sinais da inflamação gengival. Além disso, os autores relataram que o consumo do tabaco não está associado à microflora periodontopatogênica, ou seja, pacientes fumantes e não fumantes com doença periodontal severa não diferem em relação a ocorrência de : Aa, Porphiromonas gingivalis e Prevotella intermedia.

Estudos realizados por BIRKEDAL-HANSEN et al (1980) determinaram os efeitos da nicotina na proliferação de fibroblastos gengivais, produção de colagenase e de fibronectina e na destruição de colágeno tipo I. Os autores relataram que a nicotina inibe a produção de fibronectina e colágeno, além de aumentar a atividade da colagenase.

CLARKE (1981) verificou que a nicotina tem efeito adverso na microcirculação, e no fluxo sangüíneo, induzindo a uma vasoconstrição crônica nos tecidos periodontais, interferindo no processo de cicatrização periodontal, alé de inibir o crescimento de fibroblastos gengivais, produção de fibronectina e colágeno, promovendo a sua destruição.

Estudos realizados por COHEN et al (1985) relataram que neutrófilos expostos à nicotina apresentam sua produção de superóxido e peróxido de hidrogênio (radicais Oque participam da morte microbiana) diminuídas, pois além da nicotina inibir a absorção de oxigênio pelos neutrófilos, absorve também alguns radicais oxigênio que foram produzidos.

DANIELSON et al (1990) confirmaram que os fumantes não expressam tão claramente os sintomas da gengivite como os não fumantes, num equiparável índice de placa.

DAVID et al (1995) pesquisando a influência do fumo na cicatrização, relataram que a nicotina inibiu o crescimento de fibronectina e colágeno, além de aumentar a atividade da colagenase, prejudicando portanto a cicatrização periodontal.

Estudos realizados por GROSSI et al (1997) demostraram que após o tratamento periodontal mecânico, fumantes revelaram cicatrização prejudicada (já que fibroblastos expostos à nicotina apresentaram reduzida migração e fixação às superfícies radiculares)  e menor redução de Bacteróides forsythus e Porphyromonas gingivalis subgengivais comparados a ex fumantes e não fumantes. Os autores concluíram que parar de fumar pode restaurar a resposta cicatricial normal.

A influência da raça associada ao fumo na doença periodontal foi estudada por GUNSOLLEY et al (1997). Os autores revelaram que indivíduos fumantes negros com periodontite do adulto apresentam concentrações mais baixas de Ig G, enquanto que os mesmos com periodontite generalizada de início precoce apresentam concentrações mais baixas de Ig G2.

Estudos realizados por HANES et al (1991) demostraram a influência da nicotina nas funções defensivas de neutrófilos e monócitos, em relação às suas atividades bactericidas contra patógenos orais. Os autores relataram que neutrófilos expostos à nicotina apresentaram atividade bactericida contra Aa, Actinomyces naeslundii e Fusobacterium nucleatum diminuídas; em ambiente anaeróbio esse efeito não foi observado, concluindo que a nicotina afeta preferencialmente mecânismos de destruição oxigênio-dependentes.

KALDAHL et al (1992) informaram que fumantes apresentam cicatrização menos favoráveis tanto na terapia periodontal cirúrgica quanto na não cirúrgica, quando comparados aos não fumantes.

Relatos realizados por KENNEY et al (1997) demonstraram que o fumo exerce efeito negativo nos tecidos periodontais , pelo prejuízo da fagocitose, redução da quimiotaxia e migração de leucócitos polimorfonucleares.MILLER (1987) relatou que o fumo tem uma influência deletéria nos resultados dos procedimentos de recobrimento radicular usando enxerto gengival livre.

A relação entre a fumaça do cigarro e a ocorrência de periopatógenos (Aa, Bacteróides gingivalis e Bacteróides intermedius) foi investigada por PREBER et al (1992). Este estudo foi baseado em 145 pacientes (52 homens de 32 a 73 anos e 93 mulheres de 32 a 74 anos) com periodontite severa, sendo que 82 pacientes eram fumantes e 62 não fumantes. Amostras foram coletadas de sítios periodontais com profundidade de sondagem maior ou igual a 6mm. Os autores observaram que não houve diferença estatística na contagem bacteriana entre fumantes e não fumantes.

PREBER & BERGSTRÖM (1990) estudaram os efeitos do consumo do cigarro na cicatrização periodontal após terapia cirúrgica (Retalho de Widman Modificado) em 54 pacientes, dos quais 24 eram fumantes. Aavaliação foi feita após 12 meses da cirurgia, resultando numa redução da profundidade de sondagem de 0,76 ±0,36mm em fumantes e 1,27 ± 0,43mm em não fumantes.

Estudos realizados por QUINN et al (1996) comprovaram que o fumo está associado à redução dos níveis de IgGsérica em pacientes negros com periodontite de início precoce generalizada, mas não em pacientes com periodontite juvenil localizada.

Estudos comparativos realizados por QUINN et al (1998) relataram haver maior risco de doença periodontal em pacientes fumantes brancos do que em fumantes negros. Além disso, os autores observaram níveis reduzidos de IgG1 e IgGem indivíduos fumantes brancos que apresentavam periodontite. IgGfoi a única subclasse nos adultos que não foi influenciada pelo fumo.

SILUERSTEIN (1992) relatou alterações realizadas pelos metabólitos do fumo na cicatrização periodontal. O autor concluiu que o monóxido de carbono diminuiu o transporte de oxigênio e o cianeto de hidrogênio inibiu sistemas enzimáticos que operam no metabolismo oxidativo e no transporte de oxigênio a nível celular.

A associação entre a fumaça do cigarro e a presença de periopatógenos periodontais   na infecção subgengival foi estudada  por SOCRANSKY et al (1992). Foram coletados dados de 1426 indivíduos (de 25 a 74 anos), dos quais 798 eram fumantes ou ex-fumantes. Os autores observaram que fumantes abrigam níveis significantemente mais altos de B. forsythus, P. gingivalis e P. intermedia.

STOLTENBERG et al (1993) associou a cicatrização reduzida em fumantes à persistência de B. forsythus e P. gingivalis após o debridamento mecânico.

Os efeitos da fumaça do cigarro na resposta cicatricial após Regeneração Tecidual Guiada (RTG) em defeitos infra ósseos profundos foi investigada por TONETTI et al (1995). Foram avaliado 71 defeitos de 51 pacientes que sofreram cirurgia de RTG com membrana de Teflon PTFE (politetrafluoretileno expandido). Vinte pacientes (32 defeitos) fumavam mais de dez cigarros por dia, enquanto que 31 pacientes (39 defeitos) não fumavam. Após 1 ano de acompanhamento, verificou-se que fumantes apresentaram menor nível de inserção à sondagem do que não fumantes (2,1 ± 1,2mm comparado a 5,2 ± 1,9mm),concluindo que a fumaça do cigarro reduz a resposta cicatricial após RTG.

TROMBELLI et al (1997) avaliaram a resposta cicatricial em defeitos de recessão gengival após RTG em fumantes. Foram avaliados 22 indivíduos, os quais apresentavam defeito de recessão gengival classe I e II de Miller que foram tratados com membranas de Teflon PTFE. Após o período de 6 meses da intervenção, os autores observaram que profundidade de recessão, profundidade de sondagem, nível de inserção clínica e largura tecidual queratinizada apresentaram resultados inferiores nos indivíduos fumantes.

DISCUSSÃO

Resultados de pesquisas relataram que fumantes apresentam perda óssea alveolar acelerada, menores níveis de inserção clínica, assim como maior profundidade de bolsa periodontal 1,2,7,8,9,.

Com relação à influência do fumo na ocorrência de periopatógenos(Aa, Porphyromonas gingivalis e Prevotella intermedia9,21 têm-se relatado que fumantes e não fumantes não diferem em relação à composição microbiana da placa dental, embora hajam autores que relataram que o fumo pode aumentar a proporção de bactérias anaeróbias, devido ao seu potencial oxiredutor na placa bacteriana26. Além disso, outros autores relataram que fumantes abrigam níveis significantemente mais altos de Bacteroides forsythus, P. gingivalis e Aa, 15,19,27.

É de comum acordo que os efeitos do fumo prejudicam a resposta cicatricial à terapia periodontal. 3,14,15,22,18,25, Isto foi verificado através de resultados menos favoráveis(em relação a profundidade de bolsa e ganho de inserção periodontal) obtidos após terapia periodontal não cirúrgica (raspagem e alisamento radicular) e cirúrgicas (retalho de Widman modificado, Regeneração tecidual guiada, enxerto ósseo desmineralizado congelado seco e recobrimento radicular com enxerto gengival livre)20,28,29. Acredita-se que essa resposta periodontal diminuída se deva à inibição do crescimento de fibroblastos gengivais e sua produção de fibronectina e colágeno tipo I, além da aumentada atividade da colagenase observada na presença da nicotina 10 . Outros relataram que este resultado negativo do fumo na cicatrização está relacionado à constrição dos vasos sangüíneos gengivais e hipóxia crônica dos tecidos periodontais11 devido ao efeito da nicotina, diminuição do transporte de oxigênio pelo monóxido de carbono e inibição de sistemas enzimáticos que atuam no metabolismo oxidativo e transporte de O2 para as células, pelo cianeto de hidrogênio25. Além disso, há quem defenda que esta resposta cicatricial reduzida esteja associada à persistência de B. forsythus e P. gingivalis subgengivais após o debridamento mecânico26.

influência do fumo na resposta imunológica do hospedeiro revelou que a nicotina prejudica a atividade bactericida dos neutrófilos contra patógenos orais,17,19através da inibição da produção de superóxidos e peróxido de hidrogênio, os quais são responsáveis pela morte bacteriana12. Observou-se também, que o fumo reduz a capacidade proliferativa de linfócitos B e T, além de prejudicar a fagocitose de leucócitos polimorfonucleares do sangue periférico e reduzir a quimiotaxia e migração destes4.

Estudos recentes revelaram que o fumo reduz os níveis de IgG2 sérica16,24, que está relacionada a ativação da via alternativa do sistema complemento e é a subclasse dominante para agir contra o Aa; esses resultados foram expressados de maneira mais significante em indivíduos negros com periodontite de início precoce generalizada23.  Estudos revelaram um maior risco de desenvolvimento de doença periodontal em pacientes fumantes brancos do que em fumantes negros, demonstrando a influência da raça associada ao fumo na severidade da doença periodontal24. Além disso recentes pesquisas têm mostrado que não existe diferença entre fumantes e não fumantesem relação a quantidade de placa13, embora alguns pesquisadores acreditem que fumantes apresentam índice de placa e sangramento gengival mais baixos pelo fato da manifestação clínica da gengivite nesses pacientes serem suprimidas5,6. Todos estes malefícios causados pelo fumo têm sido relatados como dose dependentes.

CONCLUSÕES

  • fumo acelera a reabsorção óssea alveolar e provoca maior perda de inserção clínica.
  • A nicotina inibi a proliferação de fibroblastos gengivais, produção de fibronectina e colágeno tipo I; elementos de suma importância no processo de cicatrização.
  • O monóxido de carbono e o cianeto de hidrogênio diminuem o transporte de O2para os tecidos, prejudicando a cicatrização.
  • Neutrófilos expostos à nicotina apresentam sua produção de superóxido e peróxido de hidrogênio diminuídas.
  • A nicotina prejudica a quimiotaxia, fagocitose, migração e fixação das células de defesa nos tecidos gengivais.
  • O sistema imune de pacientes fumantes brancos é mais afetado pelo fumo do que o de fumantes negros.
  • Linfócitos B e T expostos ao tabaco apresentam reduzida capacidade proliferativa, limitando a produção de Ig protetora contra patógenos orais.
  • Não existe diferença entre fumantes e não fumantes com relação à quantidade de placa bacteriana diante de comparável higiene oral.

BILIOGRAFIA

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O mercúrio não é vilão

Paulo Capel Narvai

paulo capel

Cirurgião Dentista, Sanitarista, Especialista, Mestre, Doutor e Livre-Docente em Saúde Pública e Professor Titular da Universidade de São Paulo (USP)

Há aproximadamente dois séculos a Inglaterra vivia a Revolução Industrial e, no afã de produzir mais e mais, gerava condições insalubres de trabalho e levava ao esgotamento os corpos humanos que operavam as máquinas, que produziam febrilmente. Em muitos setores, máquinas substituíam crescentemente homens nos processos produtivos. Em 1811 o movimento operário deu um basta. Fábricas, com destaque para as tecelagens, foram invadidas e máquinas destruídas, a despeito de uma lei de 1721 proibir quebrar máquinas no Reino Unido, punindo com o exílio os condenados. Em 1812, a pena passou a ser de morte por destruição de máquinas. Penas duríssimas para tentar conter líderes operários que acreditavam que, destruindo máquinas, atacavam seus algozes e destruíam seus vilões.

Ledo engano daqueles operários. O resto é a história, hoje bem conhecida, dos conflitos entre o capital e o trabalho. Não precisou muito tempo para os líderes dos trabalhadores compreenderem que a raiz dos problemas da classe operária não estava nas máquinas, mas no uso que os capitalistas faziam delas.

Frequentemente, porém, a humanidade comete erros tão primários quanto o de quebrar máquinas. Recursos, materiais e imateriais, e também tecnologias, são demonizados como se fossem a materialização do mal. Mesmo pessoas com boa formação, incluindo aspectos éticos e científicos, cometem enganos, equivocam-se, movidas muitas vezes por boas intenções. Outras buscam apenas glórias efêmeras, e outras ainda são movidas por meros interesses escusos.

Seja qual for o motivo, a meu juízo, um desses equívocos aconteceu no Rio de Janeiro, com a aprovação de uma lei estadual que proíbe o “uso de amálgama dentária, composta por mercúrio”, no dia 19/11/2014. A lei, satanizando o mercúrio, teve origem no Projeto de Lei (PL) nº 2461/13, apresentado à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) pela deputada Aspásia Camargo, do PV, que preside a Comissão de Saneamento Ambiental da ALERJ.

O PL que deu origem à lei fluminense tem três artigos, sendo que o primeiro dispõe sobre a proibição, naquele Estado, da “utilização de amálgama dentária, composta por mercúrio, comumente conhecidas como ‘obturações de prata’, nos procedimentos de preenchimento e restauração dentária”. Este primeiro artigo contém um parágrafo único nos seguintes termos “A proibição imposta no caput aplica-se aos procedimentos privativos do cirurgião-dentista e a quaisquer outros, inclusive de manipulação e preparo de amálgama, com uso de mercúrio, a cargo de outros profissionais que realizem atividades auxiliares ou técnicas, tais como protéticos, auxiliares e técnicos em saúde bucal e auxiliares e técnicos em próteses dentárias.” O artigo segundo trata das penalidades ao infrator, que incluem advertência, multa, suspensão do alvará de funcionamento e até mesmo a cassação do alvará de funcionamento (na quarta reincidência). O artigo terceiro fixa que a lei “entra em vigor na data de sua publicação”, o que ocorreu em 19/11/2014.

A lei estadual fluminense é açodada, intempestiva e muito ruim, em termos democráticos e sanitários. Deveria ser revogada pela própria ALERJ ou não ser sancionada pelo Governador do Estado.

É açodada, pois um assunto dessa complexidade, com tantas implicações, e ainda em debate em todo o mundo nos meios acadêmicos e de odontologia e saúde pública, sem ter obtido posições de consenso e definitivas por entidades e instituições idôneas e objeto de permanente atenção por nossas instituições nacionais de saúde, não deveria dar origem à proibição em tela, por parte de qualquer órgão do legislativo brasileiro, que não fosse o congresso nacional.

É intempestiva, pois em um período de apenas alguns meses um órgão legislativo estadual decidiu, de modo liminar e categórico, sobre uma prática sanitária de abrangência planetária, cujos primórdios remonta ao século 7 e que se consolidou no século 19, sendo amplamente reconhecida como uma “boa prática sanitária” durante todo o século 20 e nas primeiras décadas deste século. Não há nenhuma razão substantiva, nenhum conhecimento novo que justifique a presente iniciativa legislativa.

É muito ruim, pois contém defeitos de técnica de redação legislativa e impõe rendição laboral aos profissionais e instituições odontológicas. O defeito de redação se refere à atribuição tácita de competência para “manipulação e preparo de amálgama, com uso de mercúrio” a “protéticos (…) e auxiliares e técnicos em próteses dentárias”. Trata-se de evidente ilegalidade, pois TPD e APD não podem manipular e preparar amálgama dentária, material que se destina à assistência direta a pessoas e que, portanto, não deve ser mantido em laboratório de prótese. Tal atividade não está entre suas prerrogativas, nos termos da lei 6710/79, de 5/11/79, que regulamenta a profissão de TPD e APD e que dispõe (Art. 4º, I, II) que é “vedado aos Técnicos em Prótese Dentária: I – prestar, sob qualquer forma, assistência direta a clientes; II – manter, em sua oficina, equipamento e instrumental específico de consultório dentário”. A conclusão óbvia é que ou a lei fluminense legisla sobre o nada, ou sobre alguma atribuição que reconhece, tácita e implicitamente. Portanto, da maneira como foi redigida, a lei estadual fluminense viola a lei federal 5081/64, de 24/8/66, que regulamenta o exercício profissional da odontologia no Brasil. Isso deveria ser o bastante para que fosse revogada. Mas, além disso, a lei fluminense impõe rendição laboral aos profissionais de odontologia aptos a realizar restaurações com amálgama, pois lhes proíbe o uso do mercúrio e não lhes dá alternativas, chegando ao cúmulo de lhes ameaçar com a cassação do alvará de funcionamento. São alguns milhares de cidadãos no Estado do Rio de Janeiro, que, devidamente habilitados pelo CRO-RJ, ganham o pão com o suor do seu trabalho. Há, nesse caso, violação do artigo 5º da Constituição da República, que dispõe, no parágrafo XIII que “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer.” Não havendo razão, conhecida pela ciência e reconhecida pela lei brasileira, para que cirurgiões-dentistas fluminenses possam livremente exercer seu trabalho profissional, uma vez que, devidamente habilitados pelo CRO-RJ, atendem  as qualificações profissionais que nossa lei estabelece, a lei estadual do Rio de Janeiro flagrantemente lhes cerceia a liberdade de exercício profissional. É fatal que seja arguida a inconstitucionalidade dessa lei que, no limite, arranha a democracia.

É muito ruim em termos sanitários, pois faz fanfarronice com assunto muito, muito sério, prejudicando a saúde pública.

Com efeito, sabedores das consequências danosas do mercúrio ao ambiente, os países têm, corretamente, criado legislação sobre o seu uso, fixando normas reguladoras para seu emprego na indústria (soda cáustica, agrotóxicos variados, termômetros, barômetros, lâmpadas fluorescentes, cimentos, dentre outras) e no setor de extração mineral (ouro, dentre outros). Também o Brasil o faz. Mas, é importante assinalar este aspecto, as normas reguladoras dos países são, de modo geral, omissas em relação ao uso médico-odontológico do mercúrio. E, outras, ficam no plano das recomendações, não vetando o uso. Cabe assinalar que mercúrio é utilizado em muitos países, incluindo o Brasil, como fungicida, na composição de antissépticos e na conservação de vacinas, dentre outros usos. E, nas restaurações dentárias, mercúrio é amplamente utilizado em todo o planeta. Por essas razões, é preciso ter prudência para não demonizar um elemento químico, mas utilizá-lo de modo racional e seguro, a favor e não contra a saúde humana.

Quanto ao uso odontológico do mercúrio, é preciso cautela para não “quebrar as máquinas”, em analogia com o movimento operário inglês, em sua fase, digamos, infantil. Ao contrário do que afirmam algumas lideranças da odontologia, o mercúrio não é um “veneno na boca das pessoas”. Considero particularmente uma leviandade essa afirmação, pois ela decorre de simples opinião pessoal, não tendo qualquer base científica. Não há, reitero, fundamento científico para afirmar que “o mercúrio” é “um veneno na boca”, pois não há evidência científica, resultante de estudos baseados em provas científicas, de que o mercúrio, preso estruturalmente à malha metálica que constitui com a prata, estanho, zinco e cobre em restaurações dentárias, esteja associado com qualquer agravo à saúde humana. Nas condições em que é utilizada na amálgama dentária, o mercúrio fica retido quimicamente à estrutura, não sendo liberado para o corpo humano que contém a restauração. Estável e quimicamente inativo, o mercúrio de restaurações dentárias não é liberado para o ambiente, nem mesmo após o óbito e o consequente sepultamento (a cremação é a única exceção). Ao contrário de declarações alarmistas, feitas por pessoas sem credenciais científicas, não há qualquer possibilidade de que, nas condições habituais em que uma restauração de amálgama é realizada, seja colocada em risco a vida humana de quem recebe a restauração. Trocar restaurações de amálgama de prata por outros produtos químicos é ato odontológico tão inútil quanto desnecessário, do ponto de vista sanitário. Não há qualquer justificativa científica para fazê-lo, não sendo aliás recomendável que o procedimento cirúrgico seja realizado, por riscos de iatrogenia, inerentes a procedimentos desse tipo.

Nos Estados Unidos, a ADA – Associação dos Dentistas dos EUA e a FDA – Agência reguladora de Medicamentos e Alimentos informam que o consumo de mercúrio no âmbito odontológico corresponde a apenas 3% do seu uso geral. Por isso, é preciso considerar que o mercúrio de uso odontológico não é o vilão ambiental que alguns querem crer. Isso não diminui, por certo, a necessidade de se utilizar o mercúrio de modo responsável na prática odontológica, levando em conta seu impacto ambiental. Mas permite dimensionar adequadamente o que esse uso representa em um contexto mais geral.

Quanto ao uso de mercúrio nas restaurações de amálgama feitas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e na imensa maioria dos consultórios odontológicos no Brasil, essa prática resulta dos conhecimentos científicos atuais e da experiência mundial com seu uso, cujo início remete aos século 7, com os chineses e, na forma conhecida atualmente, no século 19, com franceses e ingleses.

No Brasil, tanto o Ministério da Saúde, quanto as principais entidades odontológicas, como o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e a ABO (Associação Brasileira de Odontologia), têm adotado posição favorável à continuidade do uso do mercúrio, com recomendações sobre a manipulação do produto, descarte de resíduos, dentre outros cuidados aplicáveis a produtos de uso em estabelecimentos de saúde de modo geral. Os manuais da Anvisa estão à disposição de todos e constituem um guia seguro para o uso racional de mercúrio, quando isto é necessário na prática odontológica. Registre-se que não se trata de “tolerar” o uso, como se tem divulgado, mas reconhecer que, utilizado adequadamente, não oferece risco significativo à saúde humana e se constitui em importante aliado, por sua qualidade e preço, na estratégia de universalização dos cuidados odontológicos. A interrupção do seu uso, neste contexto histórico brasileiro, a par de desnecessária do ponto de vista científico, teria impacto negativo significativo para as atividades odontológicas desenvolvidas no âmbito do SUS e no setor privado, penalizando assim, sobretudo, os segmentos populacionais de baixa renda. Paralelamente, pesquisas sobre novos materiais de uso odontológico devem ser estimuladas, apoiadas e induzidas por nossas agências de fomento à investigação científica, para que estes possam, em algum momento no futuro, substituir a amálgama de prata em restaurações dentárias, de modo ambientalmente seguro e sustentável. Até lá, não há porque temer o mercúrio, mas utilizá-lo também de modo ambientalmente seguro e sustentável nas clínicas odontológicas, do SUS ou particulares. No Rio de Janeiro e em todo o Brasil.

 

 

Ou nos transformamos ou sucumbimos

Marcos Luis Macedo de Santana

Marcos Santana

Cirurgião-dentista, membro da Academia Tiradentes de Odontologia (ATO) e presidente do Sindicato dos Cirurgiões-dentistas de Sergipe (Sinodonto-SE), com extensa carreira dedicada à causa odontológica em várias instâncias

Sem entidades fortes e organizadas, direção competente e ampla participação da classe odontológica não sairemos desse marasmo e da depreciação política aos quais estamos acorrentados. Mudanças estruturais e políticas têm que ser operadas, sob pena de sermos condenados a eternizar a odontologia como subcategoria política na saúde e na sua importância social para o País.

Citando o primeiro e obscuro problema, o da formação – De acordo com dados do Inep, em  1991 existiam 83 cursos, 7.315 vagas, 7.230 ingressos e 6.089 concluintes. Já em 2013, a capacidade instalada do ensino da odontologia quase que triplicou no país, apresentando o seguinte perfil: 220 cursos, 20.589 vagas, 23.057 ingressos com 10.269 concluintes/ano. O mais interessante desse incremento é observar que o número de cirurgiões-dentistas formados, ou seja, os que deveriam realmente representar o mercado de trabalho, não apresenta um crescimento proporcional ao número de vagas e nem de cursos criados no mesmo período. Quem pode explicar?

Outra questão, no mínimo esdrúxula, são as cooperativas – Os  cooperados nunca entenderam o que é uma cooperativa. Ele se comportam como credenciados de uma empresa, quando na verdade eles são donos dela. Nas reuniões em que se delibera sobre a remuneração dos diretores da cooperativa, entre outras coisas, mais uma vez a não participação, a  baixa compreensão do sistema e a inércia –  ninguém quer sair da zona de conforto – provocam somente um rol de queixas nas redes sociais. Lamentável!

Sem margem de lucro, “ganho pouco, pago pouco” – Por seu lado, as cooperativas alegam frequentemente que para concorrerem no mercado com outras empresas e ganharem contratos em licitação – que é pelo menor preço – terminam sem margem para remunerar melhor seus cooperados. Enfim, ficam iguais aos concorrentes no aspecto remuneração. Um ciclo de “ganho pouco, pago pouco”. Isso tem acontecido com todas as cooperativas a exemplo da UNIMED que é hoje a que menos paga aos médicos. Na mesma baixa moeda, aí estão também as cooperativas de odontologia  e seus cooperados. De novo, o que falta é participação, desta vez do cooperado.

Somente 5% dos CDs brasileiros participam/contribuem com os sindicatos  – Esta ausência de profissionais  inseridos nas lutas da categoria fragiliza a própria odontologia, que deixa de ter um importante instrumento de combate e de reivindicação política. A grande maioria dos sindicatos da odontologia é  precária, sem estrutura e sem a efervescência da participação da classe que, sem pudor, fica na mais uma vez na zona de conforto, presente apenas virtual eventualmente por meio das redes sociais, com suas contumazes queixas.

Gostando ou não de política, só se muda as coisas por meio dela, é ela a ferramenta que pode contribuir e modificar o presente e arquitetar o futuro das gerações de colegas que, aos milhares, nos sucederão.

É este o comportamento típico do dentista brasileiro,  em regra imaturo politicamente,  e que se  reproduz lamentavelmente à grande maioria da categoria. Comodamente, espera que o poder dominante se compadeça dos seus problemas e os resolvam, uma ilusão. Ou nos reformamos e nos tornamos cidadãos e vamos à luta ou sucumbimos nesse mundo competitivo no qual grandes decisões políticas do País são tomadas sem sermos ouvidos  ou observados com o devido cuidado, atenção e respeito.

 

Frutas exóticas e suas indicações

59bf2bf88a496b88f60593be6e52611aPitaia
Exótica, mas muito apreciada, a Pitaia é conhecida como fruta-do-dragão. Ela tem a polpa gelatinosa e protege toda a mucosa gástrica. Apesar de ser rica em vitaminas A e C, sua ingestão não é muito indicada, já que ela tem poder laxativo. Quem gosta, costuma acrescentar açúcar. É ótima para ser consumida como suco ou em geléia.

Cherimoia
Polpa cremosa, doce e sementes escuras (que não devem ser ingeridas), essa fruta se assemelha a fruta-do-conde. Para quem nunca experimentou é um mix de várias frutas, como banana, abacaxi, mamão, pêssego e morango. Também é ricos em vitaminas A e C e em fibras.

Granadilho
Fruta muito indicada para quem tem colesterol alto, a Granadilho tem uma quantidade significativa de fibras solúveis, importantes no controle do diabetes. Apesar da pouca polpa, as sementes são comestíveis.

Longan
Semelhante em aparência e textura com a lichia, essa fruta tem origem asiática. Apesar disso, seu gosto é mais parecido com o melão. Rica em vitamina C, é uma ótima aliada contra a anemia. Indicada para ser consumida como suco.

Camu-camu
Essa é uma das frutas menos conhecidas, mas com um dos maiores teor de vitamina C entre os frutos. Originada da Amazônia, ela viaja até o Japão. Lá, ela é bastante consumida por seus ótimos benefícios para a saúde. É considerado um bom tira-gosto e isca para peixe.

Abiu

Rica em vitamina A, cálcio e fósforo, fruta possui polpa carnuda e tem sabor doce. Consumida apenas in natura é originada da região amazônica que de seu caroço se extrai um óleo com antiinflamatório. Entre a casca e a polpa, há um látex que não deve ser ingerido.

Substitua os pincéis de maquiagem por recursos simples e eficientes

Especialista indica substitutos a altura para resultados garantir resultados perfeitos

Os pincéis de maquiagem ajudam muito na hora de conseguir um resultado digno de expert, mas nem sempre é possível ter todos eles à mão. O que muita gente não sabe é que existem sim substitutos a altura, e você certamente os tem em casa. Aprenda a usar e garanta um make incrível sem gastar quase nada.

PINCEL DE BASE

Faltou pincel para aplicar a base? Não se preocupe, pois recursos simples podem espalhar o produto tão bem quanto ele. “A ESPONJA E O ALGODÃO EM BOLINHA têm ótimo resultado, mas eles absorvem muito produto. Os dedos são uma ótima alternativa, mas indico AQUECER UM POUCO O DEDO para ajudar a espalhar e aderir melhor na pele”, indica o maquiadorFELIPE CAXITO, do salão Corte&Cortes.

base

Base pode ser aplicada com algodão ou com os dedos. Foto: Fuse

Em qualquer um dos recursos é preciso aplicar da maneira correta para que a cobertura fique uniforme, sem marcas ou excesso de produto: “O melhor é passar do centro do rosto para a parte externa, sempre arrastando a base para baixo. DEIXE O NARIZ, A ZONA ‘T’, PARA O FINAL, passando apenas o que sobrar de produto no dedo ou no algodão para que não dê brilho ao longo do dia”.

PINCEL PARA PÓ

Se você não tem o pincel para o pó, que é arredondado e largo, também existe uma opção prática e funcional. “Você pode pegar o ALGODÃO DE DISCO, que lembra muito a esponja que vem junto com os pós compactos. Ele vai transferir todo o produto para o seu rosto, mas tem que APLICAR DANDO BATIDINHAS. Se arrastar vai marcar e ainda remover a base”, explica.

PINCEL DE BLUSH

O blush pode ser difícil de passar sem o pincel, no entanto, A ESPONJA E O ALGODÃO são recursos que costumam funcionar: “Tem que tomar cuidado para não deixar a cor muito forte. Caso seu produto seja cremoso ou líquido é bacana usar com a esponja ou até com o dedo. Já para o em pó é melhor usar a esponjinha ou algodão com batidinha leves, porque o dedo tem umidade e transfere a cor com muita força”.

PINCEL DE SOMBRA

sombra

Os dedos garantem um esfumado perfeito. Foto: Andrey Popov/iStock

É muito comum ver maquiadores passando sombras sem pincel, e você pode sim fazer o mesmo: “Usando o dedo anelar, que é mais firme, você deve depositar PRIMEIRO A COR MAIS CLARA NA PARTE INTERNA DOS OLHOS e depois a sombra escura de dentro para fora, esfumando os cantinhos sem nem limpar o dedo. Para marcar o côncavo o ideal é usar a haste flexível com ponta de algodão, que concentra bem e não vai borrar”.

PINCEL CHANFRADO

O pincel chanfrado é usado para delinear os olhos e preencher a sobrancelha, mas a haste flexível com ponta de algodão pode substitui-lo bem nos dois casos. “Para delinear a parte inferior dos olhos você passa o algodão da haste na sombra e espalha bem, como faria com o pincel. PARA PREENCHER A SOBRANCELHA pegue a sombra escolhida, coloque em uma parte da sua mão e aperte bem o algodão para não correr o risco de o produto ficar solto e manchar o rosto quando bater nos pelinhos”.

POR NAIARA TABORDA
Portal DaquiDali

17% dos casais brasileiros brigam quando o assunto é dinheiro

Para e pense: na sua casa, quem planeja como será gasto o orçamento familiar? Compartilhar as decisões pode ser a decisão mais saudável para a o bolso e para o relacionamento, segundo uma pesquisa realizada pela SOCIEDADE DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO. De acordo com o levantamento divulgado pelo Meu Bolso Feliz, portal de educação financeira do SPC, quase 17% DOS BRASILEIROS casados brigam por causa da maneira como gastam o dinheiro.

O percentual de conflito é maior entre aqueles casais que estão ENDIVIDADOS (22,7%) do que naqueles que são adimplentes, ou seja, que não possuem NENHUMA CONTA EM ATRASO (10,7%).

Para educador financeiro José Vignoli, do Meu Bolso Feliz, o dinheiro pode ser o motivo por trás de muitas discussões no casamento.  Apesar de não aparecer de forma clara como o culpado entre os conflitos, a questão financeira gera DISCUSSÕES RELACIONADAS à decisões familiares. Segundo o consultor, resolver colocar ou não o filho na escola particular deixaria de ser apenas uma questão financeira, mas passaria a ser acusada como uma falta de carinho, por exemplo. Da mesma forma, o fato de deixar de sair para jantar fora seria uma falta de romantismo, quando na verdade, é apenas a escassez de recursos.

Se engana quem acha que ganhando mais poderá resolver os conflitos no lar. De acordo com os resultados, aqueles casais que têm CONFORTO FINANCEIRO também encontram no dinheiro um motivo de conflito. Neste caso, o problema é relacionado à não aceitação da forma como o companheiro gasta:  a mulher acredita que o homem é “mão de vaca” e ele, geralmente, acredita que a esposa gasta com supérfluos.

Para o educador, a melhor maneira de evitar as brigas por causa das decisões envolvendo o dinheiro é PLANEJAR EM CONJUNTO. Sentar para discutir quais são as prioridades, sonhos e objetivos que o casal quer atingir e em quanto tempo isso deverá se tornar concreto pode possibilitar o sucesso no relacionamento em uma conta bancária no azul.

POR MARINA CELINSKI
Portal DaquiDali

 

Existe um cardápio durante o tratamento ortodôntico?

Jean Santos Viaodonto

Jean Santos é editor da Revista Sorriso, graduado em Odontologia pela UNOPAR. Especialista em Dentística com Ênfase em Prótese e Estética/UNOPAR. Pós Graduado em Gestão de Pessoas e Sistemas de Saúde/FGV. Metodologia do Ensino Superior em Saúde/FCM-MG.  Professor de Pós-Graduação em Odontologia Estética. Diretor da VIAODONTO Clínicas Odontológicas e Franquias.

O cardápio durante o tratamento ortodôntico, acaba sendo uma das principais dúvidas quando o paciente começa seu tratamento. O que comer com aparelho ortodôntico fixo? Posso comer maçã ou morder uma barra de chocolate? E aquele churrasquinho nos finais de semana?! Para ser mais didático, vamos dividir o cardápio do paciente em duas fases: Durante a adaptação nos primeiros dias e no restante do tratamento.

Vamos a eles: Durante a adaptação com aparelho ortodôntico, isto é, na primeira semana, você vai evitar alimentos duros, pois seus dentes vão começar a movimentar e qualquer alimentação mais firme vai sensibilizar bastante os dentes. Portanto, estão liberadas as massas em geral, macarrão, lasanha… também o arroz, feijão, ovos, carne moída. E na maioria das vezes a sensibilidade vai se repetir todas as vezes que passar pelas consultas mensais, em alguns casos, ao menos no primeiro dia após as manutenções, será necessário uma suave e macia sopa.

cardapioDurante o restante do tratamento ortodôntico você vai evitar aqueles alimentos que possam quebrar seu aparelho, pois você não vai mais sentir os dentes sensíveis e vai querer comer de tudo. Mas lembre-se, nada de torresmo, morder asinha do frango, chupar o osso da costela, pipoca também pode ser um problema por culpa do grão de milho que insiste em não estourar… Rapadura (jamais), torrone, quebra-queixo, amendoim japonês, pé-de-moleque, maçã-do-amor, etc…

Quando comer frutas como a maçã, corte em fatias, churrasquinho deve ser picado, a barra do chocolate deve ser quebrada antes (derreta na boca, é mais saboroso). Não vá sair mordendo de tudo pois o aparelho vai quebrar e atrasar seu tratamento ortodôntico!

Em nenhum momento, durante a adaptação ao aparelho ou no restante do tratamento, estão proibidos do cardápio as verduras e legumes, portanto a acelga, espinafre, saladas, abobrinha, rabanete, pimentão, broto de feijão, couve-flor, etc… estão mais do que indicados antes, durante e após o seu tratamento. Esta é para os PacienTeens! E depois de todas essas recomendações e alimentos liberados no seu cardápio não esqueça de fazer a correta higienização dos seus dentes! Escova e fio dental neles!