Brasil é o país que tem o maior número de especialistas em odontologia do mundo

Por Maria Celeste Morita

Presidente da Associação Brasileira de Ensino Odontológico (Abeno), professora associada da Universidade Estadual de Londrina, mestre em Saúde Pública de Países em Desenvolvimento pela Universidade de Paris VI, pós-doutorado pelo Observatório de Recursos Humanos Odontológicos da FO-USP

Presidente da Associação Brasileira de Ensino Odontológico (Abeno), professora associada da Universidade Estadual de Londrina, mestre em Saúde Pública de Países em Desenvolvimento pela Universidade de Paris VI, pós-doutorado pelo Observatório de Recursos Humanos Odontológicos da FO-USP

Em 2010, a região sudeste brasileira detinha 56% dos cirurgiões-dentistas  especialistas, ou seja, 30.233 profissionais. Em 2013, esse número salta para 87.706 dentistas especializados. O Brasil é o país com o maior número de especialidades na Odontologia – 19 delas,  e também o com maior número de especialistas, enquanto na Europa há apenas duas especialidades que são reconhecidas pela maioria dos países – ortodontia e cirurgia – e  nos Estados Unidos e Canadá  são nove especialidades.

Estes dados foram parte de minha palestra na III Assembleia de Especialidades Odontológicas (Aneo), que aconteceu em outubro na APCD Central, promovida pelo CRO-SP.

A Aneo aprovou, em caráter consultivo, as  especialidades de homeopatia, acupuntura e  odontologia desportiva, que agora passarão pela etapa de deliberação do Conselho Federal de Odontologia para se tornarem especialidades odontológicas de fato. Também estão em estudo pelo CFO a mudança de nomes de duas especialidades: dentística, para dentística estética e restauradora; saúde coletiva e da família, para saúde coletiva; a unificação da ortodontia e ortopedia funcional e a habilitação de algumas especialidades.

Na palestra Odontologia – Áreas e Abrangência de suas Especialidades, abordei a as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) destacando que de acordo com o Art. 4 das Diretrizes, o cirurgião-dentista deve ser capaz de pensar criticamente, tomar decisões, ser líder, atuar em equipes multiprofissionais, planejar estrategicamente para contínuas mudanças, administrar e gerenciar serviços de saúde e aprender permanentemente. Aprender permanentemente significa ter o hábito de pesquisar na literatura frente a cada dúvida surgida durante o trabalho e não necessariamente recorrer a um curso de especialização.

Defendo que o objetivo da formação em odontologia é educar cirurgiões-dentistas capazes de promover, manter e restaurar  a saúde, respondendo às necessidades da população e que a pós-graduação ou a especialização só é possível sobre uma sólida base da graduação.

“É um equívoco pensar que cursos de especialização são indutores diretos de qualidade da assistência para ser um bom profissional, seja generalista ou especialista a graduação é pilar estruturante.

A ausência de critérios para definir a necessidade de especialidade e a abertura de cursos de pós-graduação lato e stricto sensu   atualmente atendem apenas  à intencionalidade dos formadores. O que não deveria acontecer e sim haver critérios que levassem em conta, além da qualidade, a necessidade da população. Seria preciso analisar dados epidemiológicos,pois empiricamente, há desequilíbrios:  concentração de cursos e oportunidade de especialização em determinadas regiões do país, falta de determinados especialistas, dificuldade de fixação de profissionais em determinadas áreas. É urgente criarmos parâmetros de avaliação dos cursos de lato sensu, seja para a abertura deles, condições de funcionamento ou criação de especialidades. O sistema atual leva à superespecialização e agrava os desequilíbrios existentes.

O que deve modular a criação da especialização? O que deve balizar a criação de novos cursos de especialização e especialidades na Odontologia são mudanças no conhecimento científico, avanços no diagnóstico, risco e tratamento de doenças, mudanças no perfil epidemiológico das doenças, mudanças no perfil demográfico da população e dos profissionais e  mudanças no mercado de trabalho.

Como benefícios e desafios da especialização, cito, no primeiro casos, a incorporação de novas tecnologias e a eventual possibilidade de o atendimento especializado  aumentar a resolubilidade da atenção. Já como desafios, temos a perda da capacidade de lidar com o todo; o aumento da incorporação da tecnologia, nem sempre necessária; a redução do conhecimento disponível para o clínico geral e a restrição do mercado de trabalho.

Deixo para reflexão conteúdo extraído da Conferência Mundial sobre Ensino Superior, Unesco, Paris, 1998, sobre como deve ser o Profissional Universitário do Século XXI:

” Preparar-se para estudar durante toda a vida – Ser flexível, não se especializar demais – Investir na criatividade, não só no conhecimento – Aprender a lidar com incertezas, o mundo está assim – Ter habilidades sociais e capacidade de expressão – Saber trabalhar em grupo – Estar pronto pra assumir responsabilidades – Ser empreendedor – Entender as diferenças culturais – Adquirir intimidade com novas tecnologias, como a Internet.”

 

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