A Odontologia em 2015

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Dr Weder Carneiro

A Odontologia já teve várias fases. Muitos falam da “década de ouro”, referindo-se à década de 70, onde realmente qualquer dentista vivia muito bem e a maioria ficava rico com a profissão. Nos anos 80 foi a vez da Ortodontia, época em que se cobrava um salário mínimo mensal de manutenção. A década de 90 foi marcada pela Implantodontia. Quem se especializou nesse período pegou um mercado extremamente aberto e disposto a pagar caro para repor dentes perdidos.

No século XXI não houve grandes novidades, o mercado ficou muito mais escasso e o excesso de profissionais aumentou a concorrência e diminuiu os preços. As inovações até 2010 se deram mais na reinvenção do que na abertura de novos mercados.

No entanto uma nova fronteira já deu grandes sinais de que pode mudar o futuro profissional da Odontologia: a gestão e o marketing.

Os dentistas não são formados para ser gestores de sua profissão. As faculdades e mesmo as pós graduações abordam o tema apenas superficialmente, quando abordam. É um grande paradoxo, pois treina-se o dentista para ser um profissional de excelência mas esquece de ensina-lo a apresentar seu trabalho e vende-lo com ética e eficiência.

No entanto já sabemos que a gestão e o marketing podem mudar a realidade de dentistas comuns. Nossos estudos mostraram evolução de 88% em ganhos financeiros em consultórios e clínicas que implementaram métodos eficazes de gestão.

2015 será um ano difícil. Todo dia há notícias de que a economia não vai bem, a inflação está aí para amedrontar a todos e, querendo ou não, o governo vai tomar atitudes para frear a inflação. Essa receita básica inclui diminuir a circulação de dinheiro no mercado, através do aumento de juros e diminuição do crétido.

Essas medidas vão impactar diretamente consultórios e clínicas em todo o Brasil. Mas não se desespere: há um caminho.

A Harvard Business Review publicou em 2010 um artigo em que mais de 2.000 empresas foram analisadas no mundo durante a crise de 2008 e 2009. Esse estudo apoutou que a imensa maioria das empresas sofreram impactos negativos e até quebraram. Por outro lado muitas empresas aumentaram sua lucratividade e ganharam mercado mesmo com crise nos seus países. Para a revista o resultado surpreendente das empresas que venceram a crise foi devido a ações inteligentes e eficazes de gestão e marketing.

“Em momentos de crises as pessoas não deixam de consumir, elas apenas escolhem melhor de quem vão comprar, isso porque as pessoas não podem errar e a segurança passa a ser um grande fator de relevância” afirma a revista.

Para superar as limitações econômicas de 2015 estratégias de gestão e marketing são fundamentais. Já passou o tempo em que atender direitinho era suficiente para ter clientes. É preciso tomar decisões profissionalmente, saber quais áreas investir ou não. Saber analisar indicadores de clientes, satisfação, lucratividade e acertar a fórmula que vai atrair mais e mais clientes.

O eldorado da Odontologia em 2015 será a gestão. Quem souber gerir vai se superar no mercado, quem não souber vai ser vítima dele.

 

Mobilidade no consultório odontológico

A Dabi Atlante, tradicional fabricante nacional de equipamento odontológico, sediada em Ribeirão Preto (SP), lançou no primeiro semestre deste ano a New Versa. Trata-se de um consultório com mais de uma dezena de inovações que irá configurar uma nova maneira de relacionamento e atendimento entre cirurgiões-dentistas e pacientes nos tratamentos dentários.

Resgatando o nome de sua cadeira Versa, modelo de sucesso lançado na década de 70 e que revolucionou a prática odontológica ao permitir que o dentista trabalhasse sentado pela primeira vez, a New Versa é igualmente inovadora. Além de integrar todos os recursos já oferecidos nos demais consultórios da marca, é a primeira cadeira totalmente controlada por iPad por meio do aplicativo Dabi Mobile, disponível na Apple Store.

Com o iPad, o cirurgião-dentista pode controlar os movimentos da cadeira, ajustar o apoio lombar e o massageador presentes no estofamento, regular a intensidade de luz no refletor, controlar o micromotor de implante, o jato de bicarbonato e o ultrassom, acionar o fluxo de água na unidade auxiliar, entre outras funções. Além disso, dispõe de todas as facilidades proporcionadas pela conexão com a internet, como acesso a e-mails, ficha do paciente, visualização de imagens radiográficas, etc.

Para o cirurgião-dentista, as vantagens e benefícios são variados, como as sete diferentes posições de trabalho programáveis, incluindo a mais baixa e a mais alta posições da cadeira do mercado, ideais para endodontia e cirurgia buco-maxilo-facial, e também a intensidade de luz regulável de 0 a 100%. O equipamento possui seis pontas – seringa aquecida com LED, alta rotação, baixa rotação, micromotor de implante, ultrassom e jato de bicarbonato – e seu braço incorpora ainda trava pneumática trazendo superior leveza de movimentos.

 

A influência do fumo na doença periodontal

* Prof. Dr. Laurindo Borelli Neto

RESUMO

A proposta básica deste trabalho é avaliar através de revista de literatura a ação do fumo nos tecidos periodontais, assim como o comportamento da doença periodontal frente a fumaça do cigarro. Sabe-se que o fumo exerce um efeito negativo na integridade e saúde, tanto do periodonto de proteção, quanto no de sustentação; promovendo alterações nas reações vasculares, reduzindo a resposta cicatricial periodontal, e prejudicando as funções celulares defensivas contra patógenos orais. Sendo assim, o fumo não só diminui a resposta cicatricial, como também acelera a destruição periodontal.

ABSTRACT

The basic proposal of this work is evaluate over literature review the action of smoking on periodontal tissues, just as the behavior of periodontal disease front of the cigarette smoking. It,s  fact that the smoking exert a negative effect in the integrity and health as protection periodontium as the sustentation, furthering alterations on vascular reaction, decreasing the response periodontal healing, and impairing the functions of defensive cells against pathogens. In such case, the smoking not only decrease the response tissues, but also accelerate the periodontal destruction.

INTRODUÇÃO

fumo é associado a inúmeras patologias e responsabilizado por altos índices de mortalidade em todo o mundo. Os malefícios provocados pelo hábito de fumar são abordados por diferentes profissionais da área da saúde.

fumaça do cigarro resultante da combustão incompleta do tabaco é constituída por uma mistura heterogênea, da qual fazem parte a nicotina e o monóxido de carbono (CO), que são as principais substâncias químicas responsáveis pelos efeitos deletérios do fumo nos tecidos periodontais.

Sabe-se que a nicotina, está relacionada à perda óssea alveolar, perda de inserção periodontal, formação de bolsas periodontais e consequentemente perda de elementos dentais1,2,7,8,9. Isto é observado devido a ação da nicotina sobre as funções defensivas de monócitos, e neutrófilos, na IgGsérica reativa para oActinobacillus  actinomycetemcomitans(Aa), assim como sua ação sobre fibroblastos gengivais, produção de fibronectina e colágeno tipo I que3,4,14,15,16,17,18,25, somado as diminuição do transporte de oxigênio produzida pelo monóxido de carbono alteram a  resposta cicatricial  tanto após terapia periodontal cirúrgica quanto não cirúrgica25. Sendo assim, o fumo de tabaco tem sido apontado como o principal fator de risco associado a doença periodontal.

Esse trabalho tem como propósito relatar as diferentes faces da influência do fumo na doença periodontal.

REVISÃO DA LITERATURA

ARNO et al (1959) estudando pacientes fumantes e não fumantes num  acompanhamento de 6 anos, relatou maior perda óssea, menor redução da profundidade de bolsa e maior perda de inserção horizontal em furcas em pacientes fumantes.

AXELSSON  et al (1998) estudaram 1093 indivíduos de 35, 50, 65 e 75 anos. A porcentagem de fumantes foi 35%, 35%, 24%, e 12%, respectivamente. Fumantes apresentaram maior perda de inserção à sondagem em todos os grupos; essa diferença foi de 0,35mm (p=0,001); 0,88mm (p=0,001); 0,85mm (p=0,001) e 1,33mm (0,002) respectivamente.

BAAB et al (1987) relataram o impacto negativo do fumo na cicatrização de cirurgias através dos efeitos celulares deletérios da nicotina nos fibroblastos e leucócitos polimorfonucleares.

BARBOUR et al (1997) informaram que linfócitos B e T expostos ao tabaco exibem reduzida capacidade proliferativa, o que poderia limitar a produção de Ig protetora contra patógenos orais.

Estudos realizados por BERGSTRÖN et al (1998) avaliaram a influência do fumo nas reações vasculares durante a gengivite. Dezesseis estudantes com saúde dental (8 fumantes e 8 não fumantes, entre 19 e 42 anos) permitiram a indução de gengivite por acúmulo de placa e foram examinados ao final de 28 dias. Os autores observaram um aumento de vasos sangüíneos em ambos, fumantes e não fumantes, porém a intensidade da reação vascular em fumantes foi somente de 50% do que foi observado em não fumantes. Após a restituição da higiene oral, o número de vasos gengivais equipararam-se aos valores pré-experimentais de ambos os grupos.

BERGSTRÖN et al (1990) instituíram um programa de orientações de higiene oral, abrangendo 68 pacientes (entre 21 e 60 anos) dos quais 28 pacientes eram fumantes. Após 12 meses, os autores verificaram que os índices de placa e sangramento gengival reduziram tanto em fumantes quanto em não fumantes, porém nos fumantes esses índices foram mais baixos, relatando que nos fumantes a expressão clínica da gengivite em resposta a placa foi suprimida.

BERGSTRÖN et al (1991) pesquisaram a relação entre o fumo e a perda de altura óssea periodontal em 210 pacientes (de 24 a 60 anos), sendo que 30% eram fumantes, 32% ex-fumantes e 38% não fumantes. Os autores observaram que a perda óssea foi significantemente maior em fumantes quando comparado aos não fumantes (1,71 ± 0,08mm e 1,45 ± 0,04mm, respectivamente).

BERGSTRÖN & ELIASSON (1987) compararam a altura de osso alveolar de fumantes e não fumantes. Foram estudados 235 pacientes entre 21 e 60 ano, dos quais 72 eram fumantes. Os resultados revelaram uma significante redução na altura do osso alveolar em fumantes comparado aos não fumantes (1,71 ± 1,3% e 82,8 ± 0,6%).

BERGSTRÖN & PREBER (1994) mostraram através de estudos experimentais que o fumo diminui a reação vascular observada na gengivite,  e em conseqüência, têm-se uma disfarçada supressão dos sinais da inflamação gengival. Além disso, os autores relataram que o consumo do tabaco não está associado à microflora periodontopatogênica, ou seja, pacientes fumantes e não fumantes com doença periodontal severa não diferem em relação a ocorrência de : Aa, Porphiromonas gingivalis e Prevotella intermedia.

Estudos realizados por BIRKEDAL-HANSEN et al (1980) determinaram os efeitos da nicotina na proliferação de fibroblastos gengivais, produção de colagenase e de fibronectina e na destruição de colágeno tipo I. Os autores relataram que a nicotina inibe a produção de fibronectina e colágeno, além de aumentar a atividade da colagenase.

CLARKE (1981) verificou que a nicotina tem efeito adverso na microcirculação, e no fluxo sangüíneo, induzindo a uma vasoconstrição crônica nos tecidos periodontais, interferindo no processo de cicatrização periodontal, alé de inibir o crescimento de fibroblastos gengivais, produção de fibronectina e colágeno, promovendo a sua destruição.

Estudos realizados por COHEN et al (1985) relataram que neutrófilos expostos à nicotina apresentam sua produção de superóxido e peróxido de hidrogênio (radicais Oque participam da morte microbiana) diminuídas, pois além da nicotina inibir a absorção de oxigênio pelos neutrófilos, absorve também alguns radicais oxigênio que foram produzidos.

DANIELSON et al (1990) confirmaram que os fumantes não expressam tão claramente os sintomas da gengivite como os não fumantes, num equiparável índice de placa.

DAVID et al (1995) pesquisando a influência do fumo na cicatrização, relataram que a nicotina inibiu o crescimento de fibronectina e colágeno, além de aumentar a atividade da colagenase, prejudicando portanto a cicatrização periodontal.

Estudos realizados por GROSSI et al (1997) demostraram que após o tratamento periodontal mecânico, fumantes revelaram cicatrização prejudicada (já que fibroblastos expostos à nicotina apresentaram reduzida migração e fixação às superfícies radiculares)  e menor redução de Bacteróides forsythus e Porphyromonas gingivalis subgengivais comparados a ex fumantes e não fumantes. Os autores concluíram que parar de fumar pode restaurar a resposta cicatricial normal.

A influência da raça associada ao fumo na doença periodontal foi estudada por GUNSOLLEY et al (1997). Os autores revelaram que indivíduos fumantes negros com periodontite do adulto apresentam concentrações mais baixas de Ig G, enquanto que os mesmos com periodontite generalizada de início precoce apresentam concentrações mais baixas de Ig G2.

Estudos realizados por HANES et al (1991) demostraram a influência da nicotina nas funções defensivas de neutrófilos e monócitos, em relação às suas atividades bactericidas contra patógenos orais. Os autores relataram que neutrófilos expostos à nicotina apresentaram atividade bactericida contra Aa, Actinomyces naeslundii e Fusobacterium nucleatum diminuídas; em ambiente anaeróbio esse efeito não foi observado, concluindo que a nicotina afeta preferencialmente mecânismos de destruição oxigênio-dependentes.

KALDAHL et al (1992) informaram que fumantes apresentam cicatrização menos favoráveis tanto na terapia periodontal cirúrgica quanto na não cirúrgica, quando comparados aos não fumantes.

Relatos realizados por KENNEY et al (1997) demonstraram que o fumo exerce efeito negativo nos tecidos periodontais , pelo prejuízo da fagocitose, redução da quimiotaxia e migração de leucócitos polimorfonucleares.MILLER (1987) relatou que o fumo tem uma influência deletéria nos resultados dos procedimentos de recobrimento radicular usando enxerto gengival livre.

A relação entre a fumaça do cigarro e a ocorrência de periopatógenos (Aa, Bacteróides gingivalis e Bacteróides intermedius) foi investigada por PREBER et al (1992). Este estudo foi baseado em 145 pacientes (52 homens de 32 a 73 anos e 93 mulheres de 32 a 74 anos) com periodontite severa, sendo que 82 pacientes eram fumantes e 62 não fumantes. Amostras foram coletadas de sítios periodontais com profundidade de sondagem maior ou igual a 6mm. Os autores observaram que não houve diferença estatística na contagem bacteriana entre fumantes e não fumantes.

PREBER & BERGSTRÖM (1990) estudaram os efeitos do consumo do cigarro na cicatrização periodontal após terapia cirúrgica (Retalho de Widman Modificado) em 54 pacientes, dos quais 24 eram fumantes. Aavaliação foi feita após 12 meses da cirurgia, resultando numa redução da profundidade de sondagem de 0,76 ±0,36mm em fumantes e 1,27 ± 0,43mm em não fumantes.

Estudos realizados por QUINN et al (1996) comprovaram que o fumo está associado à redução dos níveis de IgGsérica em pacientes negros com periodontite de início precoce generalizada, mas não em pacientes com periodontite juvenil localizada.

Estudos comparativos realizados por QUINN et al (1998) relataram haver maior risco de doença periodontal em pacientes fumantes brancos do que em fumantes negros. Além disso, os autores observaram níveis reduzidos de IgG1 e IgGem indivíduos fumantes brancos que apresentavam periodontite. IgGfoi a única subclasse nos adultos que não foi influenciada pelo fumo.

SILUERSTEIN (1992) relatou alterações realizadas pelos metabólitos do fumo na cicatrização periodontal. O autor concluiu que o monóxido de carbono diminuiu o transporte de oxigênio e o cianeto de hidrogênio inibiu sistemas enzimáticos que operam no metabolismo oxidativo e no transporte de oxigênio a nível celular.

A associação entre a fumaça do cigarro e a presença de periopatógenos periodontais   na infecção subgengival foi estudada  por SOCRANSKY et al (1992). Foram coletados dados de 1426 indivíduos (de 25 a 74 anos), dos quais 798 eram fumantes ou ex-fumantes. Os autores observaram que fumantes abrigam níveis significantemente mais altos de B. forsythus, P. gingivalis e P. intermedia.

STOLTENBERG et al (1993) associou a cicatrização reduzida em fumantes à persistência de B. forsythus e P. gingivalis após o debridamento mecânico.

Os efeitos da fumaça do cigarro na resposta cicatricial após Regeneração Tecidual Guiada (RTG) em defeitos infra ósseos profundos foi investigada por TONETTI et al (1995). Foram avaliado 71 defeitos de 51 pacientes que sofreram cirurgia de RTG com membrana de Teflon PTFE (politetrafluoretileno expandido). Vinte pacientes (32 defeitos) fumavam mais de dez cigarros por dia, enquanto que 31 pacientes (39 defeitos) não fumavam. Após 1 ano de acompanhamento, verificou-se que fumantes apresentaram menor nível de inserção à sondagem do que não fumantes (2,1 ± 1,2mm comparado a 5,2 ± 1,9mm),concluindo que a fumaça do cigarro reduz a resposta cicatricial após RTG.

TROMBELLI et al (1997) avaliaram a resposta cicatricial em defeitos de recessão gengival após RTG em fumantes. Foram avaliados 22 indivíduos, os quais apresentavam defeito de recessão gengival classe I e II de Miller que foram tratados com membranas de Teflon PTFE. Após o período de 6 meses da intervenção, os autores observaram que profundidade de recessão, profundidade de sondagem, nível de inserção clínica e largura tecidual queratinizada apresentaram resultados inferiores nos indivíduos fumantes.

DISCUSSÃO

Resultados de pesquisas relataram que fumantes apresentam perda óssea alveolar acelerada, menores níveis de inserção clínica, assim como maior profundidade de bolsa periodontal 1,2,7,8,9,.

Com relação à influência do fumo na ocorrência de periopatógenos(Aa, Porphyromonas gingivalis e Prevotella intermedia9,21 têm-se relatado que fumantes e não fumantes não diferem em relação à composição microbiana da placa dental, embora hajam autores que relataram que o fumo pode aumentar a proporção de bactérias anaeróbias, devido ao seu potencial oxiredutor na placa bacteriana26. Além disso, outros autores relataram que fumantes abrigam níveis significantemente mais altos de Bacteroides forsythus, P. gingivalis e Aa, 15,19,27.

É de comum acordo que os efeitos do fumo prejudicam a resposta cicatricial à terapia periodontal. 3,14,15,22,18,25, Isto foi verificado através de resultados menos favoráveis(em relação a profundidade de bolsa e ganho de inserção periodontal) obtidos após terapia periodontal não cirúrgica (raspagem e alisamento radicular) e cirúrgicas (retalho de Widman modificado, Regeneração tecidual guiada, enxerto ósseo desmineralizado congelado seco e recobrimento radicular com enxerto gengival livre)20,28,29. Acredita-se que essa resposta periodontal diminuída se deva à inibição do crescimento de fibroblastos gengivais e sua produção de fibronectina e colágeno tipo I, além da aumentada atividade da colagenase observada na presença da nicotina 10 . Outros relataram que este resultado negativo do fumo na cicatrização está relacionado à constrição dos vasos sangüíneos gengivais e hipóxia crônica dos tecidos periodontais11 devido ao efeito da nicotina, diminuição do transporte de oxigênio pelo monóxido de carbono e inibição de sistemas enzimáticos que atuam no metabolismo oxidativo e transporte de O2 para as células, pelo cianeto de hidrogênio25. Além disso, há quem defenda que esta resposta cicatricial reduzida esteja associada à persistência de B. forsythus e P. gingivalis subgengivais após o debridamento mecânico26.

influência do fumo na resposta imunológica do hospedeiro revelou que a nicotina prejudica a atividade bactericida dos neutrófilos contra patógenos orais,17,19através da inibição da produção de superóxidos e peróxido de hidrogênio, os quais são responsáveis pela morte bacteriana12. Observou-se também, que o fumo reduz a capacidade proliferativa de linfócitos B e T, além de prejudicar a fagocitose de leucócitos polimorfonucleares do sangue periférico e reduzir a quimiotaxia e migração destes4.

Estudos recentes revelaram que o fumo reduz os níveis de IgG2 sérica16,24, que está relacionada a ativação da via alternativa do sistema complemento e é a subclasse dominante para agir contra o Aa; esses resultados foram expressados de maneira mais significante em indivíduos negros com periodontite de início precoce generalizada23.  Estudos revelaram um maior risco de desenvolvimento de doença periodontal em pacientes fumantes brancos do que em fumantes negros, demonstrando a influência da raça associada ao fumo na severidade da doença periodontal24. Além disso recentes pesquisas têm mostrado que não existe diferença entre fumantes e não fumantesem relação a quantidade de placa13, embora alguns pesquisadores acreditem que fumantes apresentam índice de placa e sangramento gengival mais baixos pelo fato da manifestação clínica da gengivite nesses pacientes serem suprimidas5,6. Todos estes malefícios causados pelo fumo têm sido relatados como dose dependentes.

CONCLUSÕES

  • fumo acelera a reabsorção óssea alveolar e provoca maior perda de inserção clínica.
  • A nicotina inibi a proliferação de fibroblastos gengivais, produção de fibronectina e colágeno tipo I; elementos de suma importância no processo de cicatrização.
  • O monóxido de carbono e o cianeto de hidrogênio diminuem o transporte de O2para os tecidos, prejudicando a cicatrização.
  • Neutrófilos expostos à nicotina apresentam sua produção de superóxido e peróxido de hidrogênio diminuídas.
  • A nicotina prejudica a quimiotaxia, fagocitose, migração e fixação das células de defesa nos tecidos gengivais.
  • O sistema imune de pacientes fumantes brancos é mais afetado pelo fumo do que o de fumantes negros.
  • Linfócitos B e T expostos ao tabaco apresentam reduzida capacidade proliferativa, limitando a produção de Ig protetora contra patógenos orais.
  • Não existe diferença entre fumantes e não fumantes com relação à quantidade de placa bacteriana diante de comparável higiene oral.

BILIOGRAFIA

  1. ARNO, A. et al. Alveolar bone loss as a function of tobacco comsumption. Acta Odontol. Scand. v.17, p. 3-10, 1959
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Em que onda você surfa?

     Por Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Educador, Cirurgião-Dentista, Consultor em Gestão e Jornalista. Quatro atividades que se somam para um único propósito: contribuir para o desenvolvimento de pessoas e comunidades.

Caramba! O ano acabou muito rápido e cá estou escrevendo um artigo de final de ano para o Odontosites, este cyberspace da Odontologia da Quinta Onda!
Mas, o que é “Quinta Onda” ?   Para quem nunca ouviu falar dela, eu explico. Em 1980, o escritor futurista Alvin Toffer lançou um livro intitulado A Terceira Onda, onde dividiu a história econômica da humanidade em três ondas ou fases, cada uma delas baseada em um tipo de capital:
1ª. – Onda Agrícola, onde o capital era a terra. Durou dos primórdios da humanidade até o final do século 19.
2ª. – Onda Industrial, centrada no capital financeiro. Iniciou-se no final do século 19 e foi até os anos 60. É uma economia baseada em máquinas e processos.
3ª. – Onda da Informação, iniciou-se nos anos 70 com a informatização e está baseada no fluxo e processamento de informações. Seus ícones
eram os computadores e aplicativos cada vez mais poderosos e mais acessíveis que mudaram a economia mundial. O capital era a informação, uma verdadeira fonte de poder.
4ª. – Onda da Inteligência, onde o capital está na capacidade das pessoas de adquirir e incorporar os conhecimentos gerados pela 3ª. Onda. Em 1994, o psicólogo Howard Gardner, lança o revolucionário livro, Estruturas da Mente, onde propõem que não temos apenas uma, mas nove tipos de inteligências.
E finalmente a 5ª.,  a Onda das Redes Virtuais,  em que presentemente estamos. Facebook, Orkut, Twiter, blogs e portais interativos, são as ferramentas e ícones dessa era. É a onda dos relacionamentos, pessoais ou comerciais, via internet e já incorporando as tecnologias dos celulares, dos tablets e da televisão. O capital aqui é a conectividade entre as pessoas.
O Odontosites está inserido dentro do movimento da Quinta Onda. Enquanto grande parte da Odontologia brasileira engatinha ou se arrasta, tentando passar da segunda para a terceira onda, este espaço virtual, surfa na Quinta Onda, fazendo manobras radicais.
Tenho certeza que o Odontosites, coordenado pelo Marcos Rocha, contribui muito mais para a Odontologia e seus valentes profissionais, do que muitos sites de Conselhos, de associações de classe e de Universidades. O Marcos faz parte de um grupo de pessoas que tiraram as vendas dos olhos e conseguem com isso vislumbrar novas possibilidades e horizontes para a Odontologia.
Vai aqui uma provocação: em que onda estamos surfando?

Se você não existisse, que falta faria?

Por Claudinet Coltri Junior

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Palestrante, consultor organizacional nas áreas de marketing, estratégia e pessoas; Coordenador dos cursos de Gestão de Consultório e Formação em ASB (ABO/MT); coordenador de área dos Cursos de Gestão do UNIVAG

Vivemos sempre preocupados com nossos problemas profissionais, mas, via de regra, inundados em nossas tarefas cotidianas, esquecemo-nos das leis naturais que regem as relações de trabalho e de consumo.

Muitas vezes nos perguntamos por que os nossos clientes não dão o devido valor ao nosso trabalho. A resposta pode estar no comportamento de compra do consumidor. As pessoas compram mais por motivação do que por necessidade. Para isso, muitas vezes se enganam, transformam desejos, por vezes sem sentido, em necessidades sem fundamento. A pessoa deseja uma TV de LED nova. Aí cria uma situação em sua mente para se enganar e pensar que necessita dela, quando, na verdade, a ausência do equipamento não mudaria nada em sua vida.

Já, com a odontologia, são poucos os procedimentos em que alguém desejaria sem ter a necessidade. No fundo, ocorre o inverso. Muitos dos problemas bucais, na cabeça do paciente, não atrapalham a sua vida. Existem muitas necessidades que não causam desejos. Assim, os pacientes não se encorajam a visitar o seu Cirurgião Dentista. Para prevenção, então, são poucos os casos, dentro do mercado potencial que temos.

Em sendo assim, só nos resta a alternativa de valorizarmos o nosso trabalho. O profissional de odontologia não pode perder a oportunidade de, em estando na presença do paciente, lançar mão de uma série de recursos hoje disponíveis que podem auxiliá-lo no processo de sensibilização do paciente. É preciso usar cinco minutos da consulta, que seja, para ensinar algo sobre odontologia para o paciente. É preciso ter imagens no computador que mostrem resultados favoráveis, que mostrem insucessos por conta da não disciplina dos pacientes etc. (com o cuidado de não prometer o resultado mostrado na imagem). Câmaras intra-orais são ótimos instrumentos de educação à saúde. Mostrar uma cárie, uma cavidade aberta para ser restaurada ou para uma endodontia, um dente movimentado por conta da ausência de outro elemento, são fatores de extrema importância para que o paciente veja o resultado da sua negligência.

Além disso, o seu comportamento para com o paciente é de extrema importância. Precisamos buscar, em nossos relacionamentos, sermos assertivos, ou seja, precisamos falar o que tem que ser dito, sem sermos mal-educados. Precisamos ser uma pessoa agradável, de modo que faça com que os outros gostem de estar junto, além de ser lembrado com carinho. Aliás, em tupi-guarani, encantar significa lembrar sem estar presente.

Para sermos agradáveis, para que as pessoas tenham vontade de estar em nossa presença, precisamos respeitar o ciclo de relacionamento. Ele funciona mais ou menos assim: em primeiro lugar, precisamos ser admirados pela nossa competência tanto técnica quanto comportamental; quando isso acontece, aparece o respeito; o respeito gera confiança; a confiança gera paixão (no sentido do encantamento); a paixão, o encantamento, gera o estreitamento da relação, ou seja, uma relação mais íntima.

Respeitando o ciclo, seremos, então, uma pessoa com a qual os outros sentirão prazer em estar junto. Em sendo assim, competente técnica e emocionalmente, faremos falta às outras pessoas, aos nossos clientes, que sempre estarão dispostos a estarem juntos a nós.

No fundo, o nosso sucesso está ligado à diferença que fazemos na vida das outras pessoas. Existem os que fazem diferença positivamente, os que não fazem diferença e os que fazem a diferença negativamente. Portanto, a sustentabilidade da sua vida profissional é diretamente proporcional a repostas que as pessoas dão a uma simples pergunta: se você não existisse, que falta faria? Pense nisso!

Reabilitação Estética Anterior por Meio de Facetas em Cerâmica

Dra. Alika Rocha Cirurgiã-Dentista em Goiânia-GO. Graduada em odontologia pela UNIUBE - Universidade de Uberaba. Atua como especialista em Dentística.

Dra. Alika Rocha Cirurgiã-Dentista em Goiânia-GO. Graduada em odontologia pela UNIUBE – Universidade de Uberaba. Atua como especialista em Dentística.

Paciente compareceu ao consultório queixando-se da aparência dos dentes anteriores por causa da presença de restaurações em resina composta. O desejo da paciente era ter dentes “sem emendas”. Foi escolhido como tratamento a confecção de facetas em cerâmica de Emax de canino a canino. Na análise de sorriso, além da deficiência estética causada pelas resinas, verificou-se que a paciente não apresentava exposição das bordas incisais dos centrais e o eixo dos dentes 22 e 23 estavam vestibularizados em relação aos demais. As facetas confeccionadas por meio do planejamento corrigiram essas deficiências e devolveram à paciente a satisfação em sorrir.

 

 

 

 

Aprovado Projeto de Lei sobre proibição de amálgama no Rio de Janeiro

amalgama_dentarioO Projeto de Lei 2461/13, que proíbe o uso de amálgama dentário foi aprovado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. De autoria da dep. Aspásia Camargo, a iniciativa visa coibir a contaminação por mercúrio.

Esse material, segundo o PL, já é proibido na Suécia, Noruega, Dinamarca, Alemanha, Bulgária, Vietnã, Tailândia e Japão. O mercúrio é o mais tóxico dos metais pesados e sua contaminação é bioacumulativa, provocando severos danos no fígado, rins, pulmão, cérebro, coração, problemas neurológicos e no meio ambiente.

 

 
Conheça:
Projeto_de_Lei_2461-13

Após os 4 meses, apenas 11% dos bebês são amamentados no Brasil

amamentar1O leite materno é um alimento completo e indispensável para o recém-nascido, que traz diversos benefícios ao organismo do bebê, diminuindo significantemente a incidência de doenças e mortalidade infantil. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o bebê deve receber o leite materno até os dois anos de idade.

No entanto, segundo a última Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS), no Brasil, 96% das crianças são amamentadas inicialmente, mas essa porcentagem diminui para 45% até os três meses de idade, e cai para 11% após os quatro meses.

Composto de 50% de teor calórico, ácidos graxos poli-insaturados, vitamina A, E, C, e uma série de eletrólitos, como o sódio, o leite materno é responsável pela transferência de anticorpos para o bebê, sendo benéfico para a saúde como um todo, inclusive para  a saúde bucal. Segundo a médica Marisa da Matta Aprile, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP),  os benefícios do aleitamento materno para o recém-nascido são reconhecidos mundialmente desde o século passado.

 “A amamentação promove maior proteção contra infecções do aparelho digestivo e respiratório, prevenindo diarreias e diminuindo a gravidade da bronquiolite e de pneumonias. Além disso, o leite age na prevenção da leucemia, tanto a linfoide quanto a mielóide, e da doença celíaca (intolerância ao glúten), sendo que quanto maior o tempo de aleitamento menor a possibilidade de desenvolvimento dessas doenças. Contribui também para o correto desenvolvimento craniofacial do bebê, devido aos estímulos musculares no ato de sugar o peito”, alerta a pediatra.

O leite materno auxilia no processo de desenvolvimento psíquico e intelectual da criança, sobretudo em bebês prematuros. “Há estudos que mostram que o Q.I. de bebês prematuros adequadamente amamentados pode ser superior em até dez pontos ao daqueles prematuros que não receberam o aleitamento materno”.

Outro benefício está na prevenção da obesidade e de outros fatores de riscos para as doenças cardiovasculares, vasculares periféricas e diabetes. Outro fator importante para prevenção de obesidade é o nível mais baixo de proteína no leite humano quando comparado com o leite de vaca.

Projeto de Lei propõe kit de saúde bucal para família de baixa renda

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kits adultos de higiene bucal para as gestantes que fizerem tratamento e consulta odontológica no SUS implementado na cidade de Joinville-SC

A proposta da deputada Luíza Erundina ( (PSB-SP) prevê que famílias com renda mensal inferior a dois salários mínimos poderão  ter acesso gratuitamente a kit com escova de dente, creme dental fluoretado e fio dental, segundo o Projeto de Lei 2263/11, que aguarda votação na Câmara dos Deputados. Pelo PL, produtos serão oferecidos periodicamente em unidades da rede própria ou conveniada do Programa Farmácia Popular.

A proposta exige ainda a inclusão do kit nas cestas básicas, tanto as distribuídas pelos empregadores aos seus funcionários quanto as comercializadas. O  objetivo é assegurar de forma mais eficaz que os avanços obtidos pelo País na esfera da saúde bucal sejam estendidos a todos os segmentos sociais, sobretudo os menos privilegiados social e economicamente.

“A redução na incidência de cárie não acontece igualmente em todas as classes sociais”, afirma a deputada. “Em muitos lares, há apenas uma escova de dente para todos; creme dental, às vezes; e fio dental, quase nunca. Para uma família de quatro pessoas que sobrevive com um salário mínimo por mês, comprar o kit de higiene bucal para todos os integrantes representa muito sacrifício”, justifica.

O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

 

Pesquisa confirma que CD em UTI pode reduzir em 56% infecções respiratórias

Estudo com 254 pacientes adultos, internados na UTI do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP-USP) confirma que  a atuação do cirurgião-dentista em UTI pode reduzir em até 56% as chances do desenvolvimento de infecções respiratórias nesses pacientes. Esse foi o resultado de estudo realizado com 254 pacientes adultos. O estudo integrou à equipe da UTI um cirurgião-dentista, prestando cuidados semanais aos pacientes.

UTISegundo o professor Fernando Bellissimo-Rodrigues, do Departamento de Medicina Social da FMRP, um dos principais responsáveis pelo estudo, as bactérias que causam infecções respiratórias hospitalares muitas vezes migram para os pulmões a partir da cavidade bucal. Pacientes em UTI, entubados ou não, habitualmente recebem da equipe de enfermagem cuidados de higiene oral básico, por meio da limpeza mecânica da boca e aplicação de antisséptico a base de clorexidina.

No estudo realizado no HCFMRP, foram introduzidos serviços profissionais avançados de um dentista.  Além da higiene básica, metade dos pacientes, 127, recebeu, de 4 a 5 vezes por semana, conforme a necessidade de cada um, tratamentos bucais avançados como: remoção de tártaro, restauração de cárie, raspagem da língua, escovação dos dentes e até extração dentária. Enquanto a outra metade, outros 127, chamado grupo controle, recebeu apenas a higiene básica.

Os cuidados foram prestados durante todo o tempo de internação na UTI, que variou de 48 horas até 49 dias. Todos foram seguidos até a alta médica da UTI, diz o pesquisador, e ao final “essa mudança na rotina melhorou os resultados com relação à vulnerabilidade dos pacientes nesse cenário”. Ao comparar os resultados da evolução clínica dos dois grupos, o estudo revelou que aqueles que receberam tratamento odontológico avançado apresentaram uma incidência de infecção respiratória de 8,7%, contra 18,1% no grupo controle, o que equivale a uma redução de 56%, produzida pelo tratamento odontológico.

As infecções hospitalares são hoje consideradas um dos maiores problemas de saúde pública em todo o mundo. E as infecções respiratórias são as mais frequentes, principalmente afetando pacientes em tratamento em Unidades de Terapias Intensivas. Dados da literatura médica mostram que de 34,5% a 50 % dos pacientes que contraem pneumonia associada à ventilação mecânica (equipamento comum em UTI) não sobrevivem.

Os resultados da pesquisa foram publicados na edição de novembro deste ano da revista Infection Control and Hospital Epidemiology, editada pela Society for Healthcare Epidemiology of America. Esse trabalho foi objeto do estudo de pós-doutorado da cirurgiã-dentista Wanessa Teixeira Bellíssimo Rodrigues, orientado pelos professores Roberto Martinez e Fernando Bellíssimo-Rodrigues, e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência (Faepa) do HCFMRP. O estudo contou ainda com o apoio da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, da Farmácia Industrial e do Centro de Terapia Intensiva para adultos do HCFMRP.

19 de novembro – Dia Mundial de DPOC